MACKENZIE/2003
Português > Estilística > Figura de linguagem

Antes de concluir este capítulo, fui à janela indagar da noite por que razão os sonhos hão de ser assim tão tênues que se esgarçam ao menor abrir de olhos ou voltar de corpo, e não continuam mais. A noite não me respondeu logo. Estava deliciosamente bela, os morros palejavam de luar e o espaço morria de silêncio. ¨Como eu insistisse, declarou-me que os sonhos já não pertencem à sua jurisdição. Quando eles moravam na ilha que Luciano lhes deu, onde ela tinha o seu palácio, e donde os fazia sair com as suas caras de vária feição, dar-me-ia explicações possíveis. Mas os tempos mudaram tudo. Os sonhos antigos foram aposentados, e os modernos moram no cérebro da pessoa. Estes, ainda que quisessem imitar os outros, não poderiam fazê-lo; a ilha dos Sonhos, como a dos Amores, como todas as ilhas de todos os mares, são agora objeto da ambição e da rivalidade da Europa e dos Estados Unidos. Machado de Assis - "D.Casmurro" palejavam: tornavam pálidos No texto, o elemento "noite" é exemplo de:
a) metáfora, devido à comparação explícita entre "noite" e "Deus".
b) metonímia, devido à analogia entre "noite" e "sonhos".
c) prosopopéia, já que "noite" é elemento inanimado que responde ao narrador.
d) hipérbole, pois seu sentido está ampliado.
e) catacrese, por ser uma metáfora cristalizada pelo uso popular.
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