UEL/2003
História > America > Contemporânea

Nos textos a seguir, o narrador e a intelectual problematizam a experiência da ditadura militar na Argentina, instaurada em 1976. "Sou o filho mais velho. Meus irmãos mais moços têm seis e quatro anos e faz agora oito meses que nós vimos papai pela última vez. Um dia muito frio e muito triste, de manhã cedo, um grupo de homens, que dizia pertencer à polícia, entrou em nossa casa armado de pistolas e levou nosso pai e depois disso não tivemos nenhuma notícia dele (...)." (Argentina. Terror Fascista Contra Crianças. "Dossiê da Anistia Internacional". p. 6-7. Liga Brasileira de Defesa dos Direitos Humanos, 1980.) "Há romances, poemas, depoimentos (...) [que] são obstáculos contra o convite ao esquecimento, contra sua possibilidade ou imposição; teimam em opor-se à hipocrisia de uma reconciliação amnésica que pretende calar o que, de qualquer modo, já se sabe." (SARLO, Beatriz. "Paisagens imaginárias". São Paulo: Edusp, 1997. p. 32.) Dado o confronto entre o presente e o passado recente na Argentina, o narrador e a intelectual conferem à memória e à história o trabalho de:
a) Fazer esquecer a violência dos militares argentinos contra homens, mulheres e crianças, para amenizar os conflitos políticos dos tempos da ditadura.
b) Fornecer subsídios às classes médias argentinas para fortalecer sua luta contra a atual política econômica de recessão.
c) Construir uma relação com o passado que permita aos argentinos restabelecer a continuidade entre as experiências dos tempos da ditadura e o presente.
d) Fazer da ditadura militar um motivo de reconciliação com o passado político argentino para calar os atingidos pela repressão.
e) Falsificar provas da violência imposta à população argentina para que seus executores sejam condenados e punidos.
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