Como imaginação e razão se combinam para gerar
a ideia matemática?
A palavra teorema origina-se do grego e significa penso, medito. Na Matemática, dá-se o nome de teorema às afirmações cuja autenticidade são verificadas por demonstração. O teorema está presente em todas as áreas do pensamento matemático, mas é principalmente na Geometria que sua presença é mais intensa. A história da Ciência, e particularmente da Matemática, bem como o testemunho de grandes pensadores, provam que primeiro se vislumbra o conhecimento por meio da fantasia e da intuição e, a seguir, desenvolve-se a sua lógica.
1. Indução e dedução
Observando os objetos ao redor e fazendo algumas experiências, descobrimos regularidades. Concluímos que se repetirmos certos atos, em determinadas circunstâncias, com os mesmos objetos e fenômenos, obteremos o mesmo resultado. Observando-se a correspondência entre um corpo e sua sombra, vemos que existe uma proporcionalidade entre eles. Esse processo de conhecimento chama-se indução.
Por outro lado, quando transferimos o conhecimento que temos dessas regularidades para casos particulares, temos uma dedução. A indução leva à dedução; e a dedução enriquece e expande a indução. Uma não existe sem a outra.
Para lembrar:
| O conhecimento forma-se a partir da unidade entre a indução e a dedução. A indução é o elemento principal dessa unidade. |
2. O sistema geométrico
A Geometria nasce e desenvolve-se a partir do trabalho que o homem realiza com as formas naturais que o cercam. Por meio da indução, acumulamos várias conclusões e conhecimentos do mundo geométrico.
Uma ampla base indutiva estimula o surgimento de múltiplas deduções. Elas, por sua vez, desenvolvem-se de tal modo que passam a ser feitas sem a necessidade de experiências especiais. Essas deduções abstratas recebem o nome de silogismos.

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Figura 1
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Figura 2
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| Figura 3 |
O conjunto Indução-Dedução-Silogismo compõe um sistema. Todo sistema, como vimos, começa pela indução. Assim, a partir de repetidas observações induz-se, por exemplo, que:
| ' |
Por dois pontos pode passar uma e somente uma reta (Figura 1, ao lado). |
Dessa afirmação podemos deduzir outras, sem a necessidade de passar por qualquer experiência, como:
| ' |
Duas retas diferentes não podem ter mais que um ponto comum (Figura 2, ao lado). |
A dedução aqui é direta, pois a admissão de que duas retas diferentes têm dois pontos comuns negaria a ideia anterior de que por dois pontos passa uma e somente uma reta (Figura 3, ao lado).
Para lembrar:
| Muitas deduções são concluídas diretamente das induções. Outras precisam ser demonstradas por um sistema de silogismos, em que a veracidade da afirmação é deduzida a partir de várias outras verdades anteriormente demonstradas. |
Esse conjunto de conhecimentos geométricos foi organizado em dois níveis por Euclides de Alexandria:
| ' |
No primeiro estão as afirmações que devem ser aceitas sem demonstração. Recebem o nome de axiomas (em grego, digno de confiança). |
| ' |
No segundo nível estão as afirmações que precisam ser verificadas por demonstrações: os teoremas. |
3. A demonstração de um teorema
A demonstração de uma afirmação geométrica tem por objetivo provar a sua veracidade através de uma dedução lógica, partindo de verdades já comprovadas ou conhecidas. A demonstração é necessária para que:
| ' |
O número de axiomas seja o menor possível. |
| ' |
As afirmações sejam sempre rigorosamente fundamentadas e, assim, generalizadas. |
É fácil compreender o significado e a veracidade da afirmação de que, dadas duas retas que se interceptam, existe um e somente um plano que as contém.
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| Figura 4 |
Mas essa afirmação não é suficiente, pois a sua aceitação axiomática ampliaria desnecessariamente as verdades não demonstradas.
Para economia de axiomas e maior rigor e generalização da afirmação geométrica (Figura 4, ao lado), vamos demonstrá-la.
Dadas duas retas r e s concorrentes em P, pode-se demonstrar que existe somente um plano contendo r e s.
Demonstração:
| ' |
Pelo axioma que afirma que toda reta contém infinitos pontos, podemos afirmar que a reta s contém um ponto Q distinto de P. |
| ' |
Pelo teorema que mostra que duas retas distintas se interceptam em um e apenas um ponto, podemos dizer que Q não está em r. |
| ' |
Pelo teorema que afirma que uma reta e um ponto fora dela determinam um e somente um plano, dizemos que existe um único plano contendo Q e r. |
| ' |
Pelo axioma que afirma que se dois pontos de uma reta estão num plano, então a reta está contida nesse plano e podemos afirmar que contém s. Até aqui demonstramos que existe um plano contendo r e s. |
Precisamos agora demonstrar que este plano é único. Vamos supor que existe um outro plano que contenha r e s:
| ' |
Como Q está em s, contém Q. |
| ' |
Da mesma forma como fizemos para , podemos concluir que contém Q e r. |
| ' |
Pelo teorema que afirma que por uma reta e um ponto fora dela passa um e somente um plano, concluímos que é o único plano que contém r e s. |
EXERCÍCIOS
| 1. |
Você tem uma balança de dois pratos e oito bolinhas de aço do mesmo tamanho e aparência, sendo que uma e apenas uma delas possui peso conhecido; ela é mais pesada que as demais. Demonstre que com apenas duas pesadas podemos identificar a bolinha diferente. |
| 2. |
Considere três números ímpares acima de 3 e calcule os seus quadrados. Em seguida, subtraia um dos quadrados obtidos e responda:
a) Os resultados são divisíveis por 8?
b) Podemos concluir que subtraindo um dos quadrados de todos os números ímpares obtém-se um número divisível por 8? |
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