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Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias  

Monômio
Uma expressão algébrica pode variar em número de termos. Quando a sentença for composta de um só termo, dizemos que se trata de um monômio

Assim, em Álgebra, conhece-se por monômio a seguinte expressão: 

axm 

Todo monômio é constituído de duas partes: 

Coeficiente e parte literal

Para lembrar:

O fator numérico a chama-se coeficiente e o produto dos fatores que apresentam letras do monômio chama-se parte literal. Na parte literal chamamos o número natural m de grau do monômio.

Exemplo:

No monômio 5x3 temos: 

Coeficiente 5, parte literal x3 e grau 3 

Observe as seguintes expressões algébricas inteiras: 

4x; – 5x2; 6ab; a + b – 4; 5x + 8 

Nas três primeiras, aparecem apenas multiplicações. São monômios. 

Nas duas expressões seguintes, já aparecem somas e subtrações. São, portanto, polinômios. 

Cada parcela é conhecida por termo do polinômio. Os monômios 5x2 e 2x2 têm a mesma letra (x) elevada aos mesmos expoentes (2). Por isso, são denominados monômios semelhantes. 


Para lembrar:

Podemos dizer que dois monômios que têm a mesma parte literal são semelhantes.

Já os monômios 6x e 7y não são semelhantes. O mesmo acontece com 3x2 e 5x3

Podemos dizer que os monômios semelhantes sempre podem ser somados.

Exemplo:
5x + 2x = 7x
e
x – 8x = – 7x

Além disso, quando aparecem monômios semelhantes num polinômio, o polinômio pode ser simplificado: 

2x2 + x + 5x – 3x2 + 9 =
= – x2+ 6x + 9

Noção de polinômio
A expressão axn + bxm chama-se binômio com variável x e com coeficientes inteiros a e b.

Assim, de modo geral, a expressão:

axn + bxn - 1 + ... + cx + d 

será chamada de polinômio com variável x e com coeficientes (a, b, c, d). 

Para lembrar:

Se tiver apenas três termos, ele será chamado de trinômio.

Exemplo:

São monômios com coeficientes inteiros: 

2x4; – 8x2; 7x 
7x2; 4x; – 8x5

São polinômios com coeficientes inteiros:

4x2 + x3 – 7x5 – 2
x7 + 8x9 – 2x3 + 5x + 4x2

Grau de um polinômio
Temos o polinômio

a + bx + cx2 + ... + dxn 
onde a, b, c, ..., d são os coeficientes

Para lembrar:

O maior expoente das potências de que aparecem no polinômio é o grau do polinômio.

Exemplo:

O polinômio – 3x4 + 2x3 – 16x + 6 é de quarto grau, porque o maior expoente de x é 4.

O polinômio 8x5 – 3x2 – 2x + 16 é de quinto grau porque o maior expoente de x é 5.  


Operações com polinômios

Soma de polinômios 

Os polinômios são somados agrupando-se os termos semelhantes. 

Exemplo:

Temos os polinômios P(x) e Q(x)

P(x) = 3x3 + 2x2 + x – 3
e
Q(x) = 2x3 – 6x2 + 1 

Agrupamos os termos dos dois polinômios que tiverem o mesmo grau:

P(x) + Q(x) =
(3x3 + 2x2 + x – 3) + (2x3 – 6x2 + 1) =
3x3 + 2x3 + 2x2 – 6x2 + x – 3 + 1 =  

O resultado será: 

5x3 – 4x2 + x – 2 

Agora vamos somar os polinômios: 

P(x) = 4x3 + 2x2 + 1 com Q(x) = 2x2 + 2x + 1 

O resultado será: 

P(x) + Q(x) = 4x3 + 4x2 + 2x + 2

Multiplicação de polinômios 

Para multiplicar dois polinômios, devemos aplicar a propriedade distributiva do produto dos números reais em relação à soma. 


Exemplo:
(2x3) X (3x2 + 5x – 1) =
= 2x3 X 3x2 + 2x3 X 5x – 2x3 X 1 =


O resultado será: 

6x5 + 10x4 – 2x3


Para lembrar:

Para multiplicarmos dois polinômios quaisquer, devemos aplicar repetidamente a propriedade distributiva dos números reais.


Exemplo:
(3x + 4 ) X (x2 + 5x - 3) =
= 3x (x2 + 5x – 3) + 4 (x2 + 5x – 3) =
= 3x3 + 15x2 – 9x + 4x2 + 20x – 12 =
= 3x3 + 15x2 + 4x2 – 9x + 20x – 12 = 


O resultado será: 

3x3 + 19x2 + 11x – 12


Podemos dispor a operação da multiplicação de polinômios deste exemplo como uma multiplicação normal de números reais: 

   
produtos parciais, graus agrupados por colunas
produto final


Na multiplicação de polinômios também é preciso agrupar os termos segundo seu grau, ou seja 0, 1, 2,... 

Para lembrar:

Também devemos considerar o sinal (positivo ou negativo); além disso, na multiplicação de polinômios, não 'levamos' nenhuma coluna à outra, como fazemos com os números reais.


Divisão de polinômios 

Sejam os polinômios A(x) = x2 – 1 e B(x) = x + 1. Podemos comprovar, a partir dos produtos notáveis, que: 

x - 1 = (x + 1) X (x - 1) 

O polinômio Q(x) = x - 1 chama-se quociente dos polinômios A(x) e B(x)

O polinômio A(x)  é o dividendo, enquanto o B(x)  é o divisor

Como existe o polinômio Q(x) = x – 1, tal que 

A(x) = B(x) X Q(x)

podemos dizer que o polinômio x2 – 1 é divisível pelo polinômio x + 1.  

Divisão de um polinômio pelo binômio x – a 


Dispositivo de Briot-Ruffini 

Os matemáticos Paolo Ruffini (1765 a 1822) e A. Briot (1817 a 1882) idealizaram um método prático para o cálculo do quociente de um polinômio de grau n


Para a aplicação desse dispositivo, usa-se o seguinte esquema: 


•  Na primeira linha colocam-se os coeficientes dos termos do polinômio dividendo, na ordem decrescente de seus expoentes. Se faltar algum termo, coloca-se um zero no lugar.
•  Na terceira linha, após o traço, aparecem os coeficientes do quociente. O último número da terceira linha, situado dentro do retângulo, é o resto da divisão (R).

Comprovaremos que esta regra é uma simplificação da forma habitual de cálculo de uma divisão. 


Para lembrar:

O dispositivo de Briot-Ruffini nos ajuda a achar os coeficientes do quociente e do resto quando fazemos a divisão de um polinômio por x – a.


Os binômios são do seguinte tipo, por exemplo: 

x – 2
onde a = 2
x + 3 = x – (– 3)
onde a = – 3
x – 1/3
onde a = 1/3


Faremos primeiro a divisão entre polinômios, pela forma habitual (Figura 1): 

O dispositivo de Briot-Ruffini tem as seguintes propriedades: 

•  O primeiro coeficiente do quociente é igual ao primeiro do dividendo.
•  O segundo coeficiente do quociente é igual ao primeiro do quociente multiplicado por a, mais o segundo do dividendo.
•  O resto é igual ao último coeficiente do quociente multiplicado por a, mais o último do dividendo.
•  O grau do quociente é sempre uma unidade inferior ao grau do dividendo.


Podemos escrever essa divisão apenas com os coeficientes, isto é, sem os x da Figura 1, utilizando o dispositivo de Ruffini. 

Figura 1


Os passos a seguir são indicados na Figura 2: 

Figura 2


Observe que dentro dos retângulos há o mesmo que nos retângulos da Figura 1. 

 

Uma vez calculados os coeficientes do quociente, podemos escrevê-los diretamente (recordando que o grau do quociente é uma unidade inferior ao do dividendo): 

6x2 + 7x – 3 


O resto é o último número obtido: – 7 


Para lembrar:

Para aplicar corretamente o Dispositivo de Briot-Ruffini: na divisão, quando multiplicamos um termo do quociente pelo divisor, o multiplicamos por e por
-a, mas depois mudamos seu sinal para subtraí-lo do dividendo. Por este motivo, dizemos que se multiplica por a, no Dispositivo de Briot-Ruffini.


Múltiplos e divisores

Tomamos como exemplo uma divisão exata: 


Segundo a propriedade fundamental da divisão exata, sabemos que: 

Dividendo = divisor X quociente + resto

Assim, podemos escrever a divisão anterior como produto de dois fatores: 


8x2 – 14x – 15 = (2x – 5) (4x + 3) 


O polinômio 8x – 14x – 15 é múltiplo de (2x – 5) e de (4x + 3)

Os polinômios (2x – 5) e (4x + 3) são divisores de 8x2 – 14x – 15

Pois 8x2 – 14x – 15 é divisível por 2x – 5 e por 4x + 3

De maneira geral, diremos que, ao dividirmos P(x) por D(x), se o resto for zero, então: 


•  P(x) é múltiplo de D(x) e Q(x) 
•  D(x) e Q(x) são divisores ou fatores de P(x) 
•  P(x) é divisível por D(x) e Q(x)


Valor numérico de um polinômio

Se temos o polinômio: 

A(x) = x3 – 7x + 1 

e supomos que x = 2, podemos substituir os x por este valor e efetuar a seguinte operação: 

A(2) = 23 – 7 X 2 + 1 = 8 – 14 + 1 = – 5 

Podemos dizer que o valor numérico do polinômio polinômio A(x), para x = 2, é igual a – 5, isto é, A(2) = – 5 

Teorema do resto
De acordo com o que foi visto até aqui, podemos escrever: 

6x3 – 5x2 – 17x – 1 = (x – 2) (6x2 + 7x – 3) – 7

Vamos calcular agora o valor numérico do polinômio quando x = 2

Podemos fazê-lo de duas maneiras: 

•  Primeira:

6x3 – 5x2 – 17x – 1
Fazendo x = 2, temos:
6 X 23 – 5 X 22 – 17 X 2 – 1 = 48 – 20 – 34 – 1 = – 7 

•  Segunda:

(x – 2) (6x2 + 7x – 3) – 7
((2 – 2) X (6 X 22 + 7 X 2 – 3) – 7 = 0 – 7 = – 7 

Com estes exemplos podemos comprovar que o valor numérico de um polinômio, quando x = 2, coincide com o resto da divisão desse polinômio por x – 2.  

Esta conclusão nos remete a um importante teorema: o Teorema do Resto, que pode ser genericamente enunciado como:

O valor numérico de um polinômio quando x = a é igual ao resto da divisão deste polinômio por x – a

Fatoração de polinômios
Vamos decompor uma expressão algébrica em fatores, isto é, num número, letra ou operação que se multiplicam numa expressão. 

Chamamos fatoração o processo de decompor uma expressão algébrica em fatores. Esse processo é muito parecido com o de determinar os fatores de um número inteiro, por exemplo: 30 = 2 X 3 X 5.  A decomposição em fatores nos será muito útil nas simplificações e na resolução de equações.

Numa divisão, o dividendo (D) é igual ao divisor (d) multiplicado pelo quociente (Q) mais o resto (R): prova da divisão. Se o resto da divisão for 0, P(x) = (x – a) X Q(x), o que é o mesmo que: o polinômio dividendo é decomposto no produto do divisor pelo quociente. 

Raízes de um polinômio

Para conhecer as raízes de um polinômio, devemos considerar a seguinte propriedade:


•  Se um número inteiro é raiz de um polinômio com coeficientes inteiros, dizemos que é divisor do termo independente.


Para lembrar:

Um número a é raiz de um polinômio P(x) se P(a) for igual a zero. Para encontrarmos o valor numérico de P(a), podemos utilizar o Dispositivo de Briot-Ruffini. 


Exemplo:

Vamos comprová-lo fatorando: 

P(x) = x4 + 2x3 – 7x2 – 8x + 12 

O termo independente é 12 e, segundo a propriedade anterior, procuramos as raízes entre os divisores de 12. Começamos primeiramente com o 1

Como o resto é zero, 1 é raiz de P(x); o que nos permite escrever o polinômio: 

P(x) = x4 + 2x3 – 7x2 – 8x + 12 

na forma 

P(x) = (x – 1) (x3 + 3x2 – 4x – 12) 

que é a sua forma fatorada. 

Tentamos agora fatorar P(x) ainda mais. Façamos o mesmo para a sentença (x3 + 3x2 – 4x – 12), substituindo novamente o 1

Não dá exato, portanto 1 não é uma raiz dupla.
Tentamos agora com – 1:

Não dá exato, portanto – 1  não é raiz.
Tentamos com 2

Como o resto é zero, é raiz. Assim, podemos escrever ainda: 

P(x) = (x - 1) (x - 2) (x2 + 5x + 6) 

Em seguida, temos duas opções; podemos continuar dividindo ou então resolver a equação: 

x2 + 5x + 6 = 0 

Suas raízes são – 2 e – 3. 

O resultado da fatoração de:
P(x) = x4 + 2x3 – 7x2 – 8x + 12
é
P(x) = (x – 1) (x – 2) (x + 2) (x + 3) 

Fator comum
Para colocar um fator comum em evidência num polinômio, precisamos aplicar as propriedades distributivas e simétricas de uma igualdade: 

a (b + c) = ab + ac = a (b + c)

Exemplo:

Para fatorar o polinômio: 

P(x) = 4x2y3 + 8xy2z – 16x3y4 

Começamos procurando o m.d.c. dos três coeficientes do polinômio, que será o coeficiente do fator comum: 

m.d.c. (4, 8 e 16) = 4 

Em seguida, procuramos o fator comum da parte literal, que é xy2

Dividimos cada termo do polinômio pelo fator comum 4xy2  e obtemos: 

4xy (xy + 2z – 4x2y2)

Para lembrar:

Para comprovar esse resultado, basta efetuarmos a multiplicação e novamente teremos o polinômio original.

Fatoração de um polinômio de segundo grau
Se considerarmos que as raízes de um polinômio P(x) são as soluções da equação P(x) = 0, podemos conhecer as raízes reais de um polinômio (se ele as tiver) de segundo grau. 
Exemplo:
P(x) = 3x2 – 6x – 9

Resolvemos a equação 3x2 - 6x - 9 = 0 


 e - 1  são as raízes do polinômio. 

Tomemos qualquer uma delas, por exemplo, x = 3, e façamos a divisão do polinômio dado por x - 3

  3 -6 -9
3   9 9
  3 3 0

O quociente desta divisão é: 

3x + 3

Assim: 

P(x) = 3x2 – 6x – 9 = (x – 3)(3x + 3) 

Fatoração de trinômios
Um dos polinômios mais fáceis de fatorar é o quadrado de um binômio. 

 

Primeiro fatoramos o primeiro termo do trinômio: 

a = (a)(a) 

Em seguida, fazemos o mesmo com o terceiro termo, b2: (b) (b): 

a2 + 2ab + b2 = (a + b)(a + b)

Para lembrar:
Observe que o segundo termo do trinômio não foi usado para encontrar os fatores, mas nos será útil para comprovar se a fatoração foi ou não correta. Vamos comprová-lo:

Para isto, multiplicamos primeiramente os termos centrais e depois os extremos. 

Somamos os respectivos produtos e, se coincidir com o termo central do trinômio, a fatoração está correta: 

+ ab + ab = + 2ab


EXERCÍCIOS

1. Calcular a soma dos seguintes polinômios:
(x3 + 2x2 + 4x + 3) + (– 2x3 + x2 – 2x + 1) 

2. Calcular o produto:
(x3 – 2x + 3) (2x2 – 1) 

3. Dividir x3 + 1 por x + 1 usando o Dispositivo de Briot-Ruffini. É preciso considerar que quando faltam termos no polinômio, nós os completamos colocando tantos zeros quantos termos faltarem. Neste caso os coeficientes serão: 1; 0; 0; 1. 

4. Achar o quociente e o resto da divisão de:
2x4 – 3x3 + 3x – 5 por x + 2 

5. Indicar quais afirmações são falsas e quais são verdadeiras:
a) x + 5 é divisor de x2 – 25
b) x2+ 9 é múltiplo de x + 3
c) x2– 4 é múltiplo de x – 2
d) x + 7 é divisor de x2+ 49

6. Considerar o polinômio P(x) = x2– 6x + a.
a) Para que valor de a, P(x) é divisível por x – 2?
b) Para que valor de a obtém-se resto 3, ao dividi-lo por x – 1?

7. Fatorar as seguintes expressões:
a) (a2 – 6a + 9)
b) (25b2 + 40b + 16)
c) (6x3 – x2 – 6x + 1) 

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