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Divisão política
O mapa político da África não reflete as características próprias dos povos africanos, visto que é fruto da divisão realizada pelas potências coloniais européias na Conferência de Berlim do ano de 1885. Atualmente a África é composta de 53 países, mas a maioria dos países africanos alcançou sua independência somente depois do processo de descolonização, iniciado após a Segunda Guerra Mundial. As lutas anticolonização africanas, as rivalidades étnicas, freqüentemente atiçadas pelos antigos colonizadores, e o jogo político do período da Guerra Fria, fizeram do continente um palco de conflitos sangrentos durante toda a segunda metade do século XX.

Unificação política
Em 1960, 15 países africanos conseguiram sua independência. Com os novos Estados nasceram também novas organizações de caráter supranacional, como a OUA (Organização para a Unidade Africana), ou algumas tentativas de unificação política entre os países do Magreb (Argélia, Marrocos e Tunísia). Em 2002 a OUA foi sucedido pela União Africana (UA), que congrega todo o continente, menos o Marrocos. Tendo como modelo a União Européia, a UA pretende promover a unificação econômica e política da África. O avanço, no entanto, tem sido lento, em função dos sérios conflitos do continente. Apesar das conquistas políticas, alguns países ainda mantém fortes laços em relação aos antigos colonizadores, beirando o intervencionismo em algumas circunstâncias, especialmente na África subsaariana.

A população africana concentra-se principalmente nas costas e perto dos grandes rios. A possibilidade de irrigação aumenta a produtividade das terras, como nessas hortas à margem do Rio Níger
Atividades humanas
Nos países menos desenvolvidos da África Subsaariana, a população continua sendo majoritariamente rural e dedica-se à agricultura de subsistência. Os rendimentos são escassos, exceto nas grandes plantações controladas por empresas locais ou multinacionais. A criação de gado ocorre em pequenas explorações tribais, que também não obtêm grandes rendimentos.

Riquezas naturais
A exploração dos recursos naturais é a maior fonte de riqueza africana:

Do planalto de Katanga extrai-se cobre, estanho, chumbo e zinco.
As minas da África do Sul são ricas em ouro, diamantes e urânio.
A costa norte do continente contém abundantes poços de petróleo e gás natural, além de ser rica em jazidas de fosfatos.

A África tem também um enorme potencial hidrelétrico graças a seus rios e lagos caudalosos. A represa de Assuã, no rio Nilo quando passa pelo Egito, constitui a obra de infra-estrutura mais importante do continente.

Mulheres africanas com suas vestimentas étnicas coloridas em um mercado de Moçambique

População
A África tem cerca de 906 milhões de habitantes (2005). São quase 23 pessoas por km², uma densidade demográfica semelhante à americana. A distribuição da população é muito desigual: devido às duras condições climáticas, as zonas desérticas e a faixa do Equador têm poucos habitantes; já a África do Sul, as costas mediterrânea e nigeriana, e a bacia do Nilo são intensamente povoadas, com áreas superando os mil habitantes por km². A alta taxa de mortalidade, principalmente a infantil, é compensada pela enorme natalidade, garantindo ao continente o maior crescimento demográfico do planeta, cerca de 2,1% ao ano em 2005.

Crescimento urbano
Nos últimos anos o crescimento urbano acelerou-se. Em dez anos, a partir de meados dos anos 90, dobrou o número de cidades com mais de 1 milhão de habitantes, que, hoje, passa de 30.

 

A área metropolitana do Cairo, no Egito (15 milhões de habitantes), e a de Lagos, Nigéria (11 milhões de habitantes), são as mais populosas aglomerações urbanas da África.

As atividades primárias
A agricultura africana é principalmente de subsistência, de baixo nível técnico, e está ameaçada por um crescente processo de desertificação, especialmente na região do Sahel, o que agrava a situação de pobreza no continente. Por outro lado, existem grandes plantações de produtos como café, cacau, algodão ou cana-de-açúcar, destinados à exportação.

Aproveitamento agrícola,
de gado e florestal
  Formas de aproveitamento
rebanho extensivo e agricultura comercial e de subsistência
agricultura de plantation
agricultura de subsistência
terras não-cultivadas e rebanho nômade
agricultura mediterrânea
agricultura itinerante
horticultura em oásis
Agricultura
A agricultura itinerante, que consiste em queimar a terra para plantar sobre as cinzas, é muito praticada na savana. Isso favoreceu o processo de desertificação e a redução da superfície agrícola

Pecuária
A criação de gado é regida por técnicas tradicionais que têm baixo rendimento produtivo. Na área mediterrânea criam-se ovinos e caprinos; na savana, bovinos; e nas regiões desérticas, camelos e dromedários.

Na África Central, a floresta tropical, rica em madeira e borracha, vem cedendo espaço para as grandes explorações de café, amendoim, palmeira de azeite, cacau e outras plantações.
Na África do Norte predominam os cultivos próprios do clima mediterrâneo, como as frutas, hortaliças, trigo e oliveiras. A uva dá-se em menor proporção, já que o islamismo proíbe o consumo de álcool.

As atividades secundárias
O continente africano possui importantes jazidas de minerais e fontes energéticas que, por enquanto, servem para prover os países industrializados.

  Energia, minerais e indústrias
  Mineração
  ferro
  prata
  ouro
  cobre
  bauxita
  fosfatos
  níquel
  estanho
  urânio
  diamantes
  Energia        
  principais centros industriais centrais hidrelétricas jazidas de gás
  jazidas de petróleo jazidas de carvão    
Exploração mineral
As principais minas são as de bauxita (Guiné), ferro (Libéria e Mauritânia), cobre (República Democrática do Congo e Zâmbia) e ouro e diamantes (África do Sul). Cerca de 50% da produção mundial de diamantes procede da África do Sul, da República Democrática do Congo e de Botsuana. O Saara Ocidental e o Marrocos contam com importantes jazidas de fosfatos.

Petróleo
A extração de petróleo concentra-se na Líbia, Egito, Gabão, Nigéria, Argélia e Angola, países que iniciaram recentemente um processo de industrialização.

Indústria
No entanto, apesar de existirem riquezas minerais em muitas outras regiões, é na África do Sul que se encontram as grandes zonas industriais do continente, localizadas nos arredores de Johannesburgo e
da Cidade do Cabo.












Serviços
(parte da população ativa empregada no setor de serviços) 1990 a 1992, em %
 
mais de 50%
de 30% a 50%
de 10% a 30%
menos de 10%
sem dados
   
As atividades terciárias
As atividades relacionadas com a exportação e a importação ocupam uma pequena porção da população. O comércio está basicamente dirigido aos países industrializados, sendo que é escasso o comércio entre os países do continente ou com outras regiões do mundo. Um dos maiores entraves ao desenvolvimento do setor terciário comercial é a deficiência dos meios de transportes.


Redes antiquadas
Os transportes terrestres são formados por 1,5 milhão de km de rodovias e cerca de 85 mil km de vias férreas.
Para lembrar:
A balança comercial da maioria dos países africanos é desfavorável, já que o preço da matéria-prima que exportam é muito inferior ao dos produtos elaborados que importam.

A maioria das estradas é de pistas de terra e são poucas as que funcionam durante todo o ano, ficando intransitáveis no período das chuvas.
A rede de trens concentra-se na África do Sul (uma quinta parte do total) e foi projetada durante o período colonial com o fim de extrair minerais e não de favorecer o comércio interafricano.

O transporte aéreo é muito utilizado para as grandes distâncias e para atingir zonas pouco acessíveis. A comunicação fluvial realiza-se principalmente nas partes navegáveis do Nilo e na República Democrática do Congo, mas a infra-estrutura portuária é, em geral, antiquada.

 
  Qualidade de vida (com base no IDH), 1992
  média de média a baixa baixa
  muito baixa sem dados    

O bem-estar da população
A África Subsaariana é a zona mais pobre do continente. Países como Níger, Zâmbia, Quênia, Moçambique, Etiópia, Somália, Sudão, Chade ou Mali têm renda per capita inferior a 400 dólares anuais. Uma ampla camada da população sofre de graves doenças. Nas zonas tropicais a malária causa danos aos habitantes.
A África luta ainda contra o flagelo da Aids. Dois terços de todos os infectados pelo HIV no mundo estão no continente. O impacto da doença na população do continente compromete o futuro do país. No  Zimbábue, por exemplo, a Aids fez com que a expectativa de vida, que era de 56,6 anos em 1990, despencasse para 33,9 anos em 2004.

Os conflitos étnicos, guerras civis, instabilidade política e corrupção desestruturam a economia já frágil de seus países, cujas populações frequentemente vivem o drama da fome.

Esforço de industrialização
O sul da África é a região economicamente mais avançada, principalmente a República da África do Sul, que desenvolveu uma intensa atividade comercial em torno dos minerais (diamantes, ouro, carvão). Os países produtores de petróleorealizaram enormes esforços de modernização e de melhoria das infra-estruturas, que começam a dar resultados. Outros países da África mediterrânea, como Marrocos, Egito ou Tunísia, estão sendo favorecidos por investimentos estrangeiros.


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