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REGIÃO NORDESTE (BRASIL)

É uma região do Brasil que engloba nove estados: Maranhão (MA), Piauí (PI), Ceará (CE), Rio Grande do Norte (RN), Paraíba (PB), Pernambuco (PE), Alagoas (AL), Sergipe (SE) e Bahia (BA). Ocupa 1.554.257 km², 18% da superfície do país. Limita-se ao Norte e a Leste com o Oceano Atlântico; ao Sul, com os estados de Minas Gerais e Espírito Santo; e a Oeste, com os estados do Pará, Goiás e Tocantins. Segundo os dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, a população do Nordeste é de 51.871.449 habitantes (27,93%) e a densidade demográfica é de 34,2 hab./km². O estado mais extenso e mais populoso é a Bahia. Cobre pouco mais de um terço da área total e conta com 13.633.969 habitantes, segundo o Censo de 2010.

A Região Nordeste é formada por várias sub-regiões geoeconômicas muito diferenciadas. Problemas ligados ao desenvolvimento econômico e certas afinidades históricas e político-administrativas são os principais denominadores comuns.

Próximo ao litoral, o relevo é dominado por terras baixas. No interior, predominam os planaltos de altitudes moderadas. Há uma série de bacias fluviais isoladas. A maior delas é a do Rio São Francisco, que nasce em Minas Gerais, na Região Sudeste.

O clima no Nordeste é bem variado. Na costa litorânea há predomínio do clima Tropical Úmido, na porção mais interiorana o clima característico é o Semiárido e no extremo Oeste da região, na parte mais próxima à Região Norte, o clima predominante é o Tropical Típico. As chuvas são abundantes na faixa litorânea, que se estende do Noroeste do Maranhão até o Litoral Sul da Bahia, mas muito escassas no restante da região. A vegetação é bastante diversificada, refletindo os contrastes do clima e da altitude. Varia desde a exuberância da hileia amazônica à semiaridez da Caatinga.

A Região Nordeste começou a ser colonizada pelos portugueses na metade do século 16, quando foram fundadas as vilas pioneiras e a cidade de Salvador, primeira capital do Brasil. Nos dois primeiros séculos de colonização, era o centro vital da economia do Brasil Colônia, com duas grandes riquezas agrícolas, a cana-de-açúcar e o tabaco, além da criação de gado. Com a descoberta de ouro em Minas Gerais, no século 18, e o desenvolvimento da lavoura de café no Sudeste do país durante o século 19, a região perdeu muito de sua importância econômica. Atualmente, os governos estaduais se esforçam para industrializar a região e modernizar sua agropecuária.

A TERRA

A região tem relevo, estrutura geológica, clima e vegetação muito diferenciados. Os planaltos de altitudes moderadas, em geral desgastados pela erosão, predominam em quase todo o território. A linha do litoral descreve um grande arco, sem muitas reentrâncias. As maiores delas são o Golfo Maranhense, com as Baías de São Marcos e de São José, e a Baía de Todos os Santos, a maior do Brasil.

Vista geral da Cidade Alta e da Cidade Baixa de Salvador, a primeira capital do Brasil

O relevo apresenta três unidades: a Baixada Litorânea, o Planalto Atlântico e o Planalto Central.

A Baixada Litorânea é uma faixa quase sempre estreita que acompanha o litoral. Seus terrenos, em geral recentes, são formados por acúmulo de sedimentos. No Maranhão e no Piauí a baixada se alarga e chega a se afastar até 200 ou 300 km da orla marítima. Seu aspecto é variado.

As praias predominam em quase toda a extensão. Em alguns lugares, como no Rio Grande do Norte, aparecem dunas de areia de até 50 m de altura; em outros, como no litoral Oriental, surgem os típicos coqueirais. Em certos trechos, como no Maranhão e em Pernambuco, aparecem manguezais, inundados pelo mar na maré alta; em outros, como Alagoas, surgem as lagunas. Um pouco mais afastadas da costa aparecem elevações de 20 a 50 m de altura e bordas escarpadas, os tabuleiros.

Para o interior, o relevo vai aumentando de altitude. Surgem os planaltos e as chapadas, com altitudes médias entre 200 e 800 m.

O Planalto Atlântico, de terrenos muito antigos, compreende a porção Oriental da região. Seu pico culminante é o Barbado (2.033 m), que fica no Centro-Sul da Bahia, em um prolongamento da Serra do Espinhaço, que vem de Minas Gerais. Sua porção sul recebe o nome de Planalto Baiano e é dominada por grandes extensões tabulares (Chapada Diamantina). Ao Norte fica o Planalto Nordestino, onde predominam terrenos cristalinos. Ali há poucas serras e elevações isoladas quebrando a regularidade das chapadas. Uma subunidade destaca-se: o Planalto da Borborema, no interior da Paraíba e Pernambuco, cujo ponto culminante é o Pico do Jabre (1.197 m). As chapadas mais típicas do Planalto Nordestino são a do Apodi, entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, e a do Araripe, entre o Ceará e Pernambuco.

O Planalto Central, que ocupa a porção Ocidental da região, tem terrenos sedimentares antigos, que formam chapadas e chapadões de bordas escarpadas. Entre a Bahia e Tocantins fica a Serra do Espigão Mestre (também conhecida como Serra Geral de Goiás), divisor de águas entre as bacias dos rios São Francisco e Tocantins, que se prolonga até o Maranhão e o Piauí. Separando o Maranhão de Tocantins, e o Piauí da Bahia surge a Chapada das Mangabeiras. Entre o Piauí e seus vizinhos de Leste e Sudeste há uma série de chapadas escarpadas, entre as quais se destaca a Serra do Ibiapaba, divisa com o Ceará.

Nos Lençóis Maranhenses as dunas de areia contrastam com a água das pequenas lagoas

A hidrografia. Na região há uma série de bacias fluviais isoladas. A do São Francisco destaca-se das demais não só pela extensão do rio (2.700 km, dos quais mais de 80% encontram-se em terras nordestinas), mas também por sua importância para a navegação e a economia regional. O Velho Chico, como é comumente conhecido, é navegável desde Pirapora, em Minas Gerais, até Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). Também fornece energia elétrica a uma vasta área do Nordeste graças à Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso. Originário da Serra da Canastra em Minas Gerais, o São Francisco penetra na Bahia entre a Serra do Espigão Mestre e a Chapada Diamantina. Serve de divisa entre os estados da Bahia e Pernambuco, e os de Alagoas e Sergipe. Seu principal afluente em terras nordestinas é o rio Grande (1.300 km).

Das demais bacias, destacam-se as dos rios Gurupi, Pindaré-Mearim e Itapecuru, no Maranhão; Parnaíba (1.344 km), no limite entre o Maranhão e o Piauí; Jaguaribe, no Ceará; e Paraguaçu, das Contas e Pardo, na Bahia.

Praia de Arembepe, na Bahia, ponto turístico próximo ao pólo industrial de Camaçari

O clima. Há três tipos de clima na região nordestina. Eles se diferenciam principalmente quanto à distribuição das chuvas: o Equatorial Úmido na Amazônia maranhense; o Tropical Úmido Litorâneo, que se estende do litoral do Maranhão até o Sul da Bahia; e o Semiárido, no restante do território.

As temperaturas médias anuais são elevadas em toda a região, entre 23 e 28 °C. Nas áreas semiáridas (Sertão), a temperatura sofre grande variação diurna, que chega a uma diferença de até 10 °C entre o dia e a madrugada. No litoral, brisas e ventos alísios amenizam o calor.

A distribuição de chuvas não é regular em todo o território. Na Amazônia maranhense chove bastante durante todos os meses do ano e o volume total anual de chuva ultrapassa 2.000 mm. Nas zonas de clima Tropical Úmido Litorâneo, o volume também é de cerca de 2.000 mm, mas as precipitações predominam nos meses de inverno. Já nas áreas semiáridas, ele é inferior a 1.500 mm por ano, chegando a menos de 500 mm em alguns trechos. Ali, nas épocas normais, as chuvas vão de dezembro até junho, período que o sertanejo chama de inverno, e a estação seca vai de junho a dezembro, que para os moradores da região é o verão. No entanto, há anos a chuva está cada vez mais escassa ou inexistente, ocorrendo a seca agravada, que mata as plantações e o gado.

A vegetação reflete os contrastes climáticos. Destacam-se três tipos de vegetação florestal: a hileia amazônica, no Noroeste do Maranhão; os babaçuais, em grande extensão daquele estado; e a Mata Atlântica, hoje reduzida ao Sul da Bahia.

Há três tipos de vegetação arbustiva e herbácea: a Caatinga, em que predominam as plantas cactáceas (cactos) e pequenas árvores tortuosas, ocupando a maior parte do Sertão; os Cerrados, no Centro-Sul do Maranhão, com arbustos de galhos retorcidos e vegetação rasteira; e os campos gerais, no Planalto Baiano, com vegetação rasteira. Há ainda a vegetação litorânea e das baixadas: os manguezais e carnaubais das dunas de areia e os coqueirais.

ATIVIDADES ECONÔMICAS

Durante séculos, a agropecuária foi a base da economia da Região Nordeste, mas a partir da década de 1990, a indústria passou a ocupar cada vez mais espaço na economia da região. As causas desse fenômeno foram a transferência de indústrias de outras regiões do Brasil (em especial do Sudeste) para o Nordeste, em busca de mão de obra mais barata e dos incentivos fiscais oferecidos pelos municípios e estados; além das políticas de desenvolvimento regional aplicadas pelo governo federal por intermédio da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que visa à diminuição dos desequilíbrios regionais.

A pesca é uma das atividades econômicas mais importantes da Região Nordeste

Agricultura, pecuária e extrativismo. As grandes lavouras predominam na faixa Atlântica Oriental e no Sul da Bahia. No restante da região, formam-se pequenas lavouras associadas à criação de gado, que são a grande força da economia regional.

Seis produtos agrícolas são muito importantes: o algodão arbóreo (plantado no Ceará, no Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Pernambuco e no Piauí) e herbáceo (no interior da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas); a cana-de-açúcar (da Paraíba ao Recôncavo Baiano); a mandioca (cultivada em todos os estados); o feijão (principalmente na Bahia, mas também no Ceará, em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte); o cacau (no Sul da Bahia); e o milho (no Ceará, em Pernambuco, na Bahia, no Maranhão e na Paraíba).

Outros produtos agrícolas também movem a economia regional: o arroz do Maranhão; a banana do Ceará; o sisal do Rio Grande do Norte e da Bahia; o coco de todo o litoral nordestino; e o tabaco da Bahia e de Alagoas.

A criação mais importante é a de bovinos, concentrada principalmente na Bahia, mas também praticada em outros estados. Em segundo lugar, vem a de suínos, com maior número de cabeças no Maranhão. No Nordeste está o maior rebanho de caprinos do Brasil.

A produção extrativa mineral é importante. A magnesita é encontrada na Bahia e no Ceará; a gipsita, em Pernambuco e no Ceará; o tungstênio, no Rio Grande do Norte; a barita, na Bahia; o cromo, na Bahia; o sal marinho, no Rio Grande do Norte; o cobre, na Bahia; o sal-gema, em Alagoas; o chumbo, na Bahia; o calcário, no Rio Grande do Norte, na Bahia e no Ceará; e o urânio, no Ceará.

A Região Nordeste contribui com uma parcela significativa da produção de petróleo do Brasil. O Nordeste, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), produz 72,95% de todo o total de petróleo extraído em terra do Brasil. Mas a região explora apenas 1,69% de petróleo em mar. Em 2006 a região nordestina produziu 9,72% do total de petróleo produzido no país. Em ordem de importância, os estados produtores de petróleo no Nordeste são: Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Alagoas e Ceará.

Na produção extrativa vegetal, destacam-se o babaçu (MA), a carnaúba (CE, PI), a piaçava (BA), o cajueiro (CE) e a oiticica (CE, PB).

A pesca, praticada tradicionalmente pelos jangadeiros, é hoje realizada por barcos pesqueiros mais modernos, muitos deles aparelhados com um compartimento frigorífico. Além de peixes, são pescados crustáceos, como a lagosta, e moluscos. Os principais produtores de pescado são o Maranhão, o Ceará e a Bahia.

A indústria. Os principais polos industriais do Nordeste correspondem às regiões metropolitanas de Salvador, Recife e Fortaleza. A Bahia é o estado da Região Nordeste com o maior nível de industrialização, respondendo por quase metade do valor da produção industrial da região e um quarto da mão de obra. Em seguida, aparecem os estados de Pernambuco e Ceará. Juntos, esses três estados concentram em torno de 80% do valor da produção industrial da Região Nordeste, absorvendo por volta de dois terços da mão de obra do setor industrial.

A Região Metropolitana de Salvador concentra 3.574.804 habitantes (IBGE, 2010) e importantes indústrias, como a de refino de petróleo, petroquímica, alimentícia, de tabaco, têxtil, de eletrodomésticos, de cerâmica, metalúrgica, de calçados, de informática e automobilística. Há grande destaque para o maior polo petroquímico do estado da Bahia, o de Camaçari, que fica há 35 km de Salvador.

A Região Metropolitana do Recife conta com 3.688.428 habitantes (IBGE, 2010). Suas principais indústrias são a alimentícia, a têxtil, a química e a metalúrgica. Ainda em Pernambuco, destaca-se economicamente o Complexo Industrial Portuário de Suape, que, segundo dados do relatório PAC Suape, os investimentos públicos no período de 2007 a 2010 foram de 1,4 bilhão de reais.

A Região Metropolitana de Fortaleza reúne 3.610.379 habitantes (IBGE, 2010) e tem nos setores alimentício, têxtil, de bebidas e de produtos químicos sua principal alavanca econômica.

Há estudos que comparam o cenário atual de crescimento dos polos industriais nordestinos com a transformação da região do ABC, no estado de São Paulo, na década de 1950.

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