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RIO GRANDE DO SUL
O ESTADO em resumo
Sigla: RS.
Habitante: gaúcho ou rio-grandense-do-sul.
NO de habitantes: 10,2 milhões.
Densidade demográfica (2000): 36,1 hab./km2.
População urbana (2000): 81,6%.
NO de eleitores (2002): 7,3 milhões.
Localização: sul da Região Sul.
Área: 282.062 km2.
Relevo: planícies no litoral; planaltos; serra gaúcha; depressão central.
Rios principais: Uruguai, Taquari, Ijuí, Jacuí e Ibicuí.
NO de municípios: 497.
Governador: Germano Rigotto (PMDB), eleito em outubro de 2002.
Capital: Porto Alegre.
Habitante da capital: porto-alegrense.
Data de fundação de Porto Alegre: 26 de março de 1772.
Cidades principais: Porto Alegre (1.360.590 hab.), Caxias do Sul (360.419 hab.), Pelotas (323.158 hab.), Canoas (306.093 hab.) e Santa Maria (243.796 hab.).
IDH (2002): 0,869.
Renda per capita (1999): 3.399 dólares.
PIB per capita (1999): 7.389 reais.
Analfabetismo (2000): 6,1%.
Mortalidade infantil (1999): 18,4 a cada mil nascidos vivos.
Médicos (2001): 17,5 a cada 10 mil habitantes.
Extensão da telefonia: fixa: 2,4 milhões; móvel: 1,9 milhão.
Participação no PIB nacional (1999): 7,7%.
Distribuição do PIB estadual (1999): agropecuária (13,3%); indústria (37,5%); e serviços (49,2%).
Parques nacionais: Aparados da Serra, Lagoa do Peixe e Serra Geral.

Um dos quatro estados mais ricos do país, tem peculiaridades tanto na formação histórica quanto na economia. A geografia e a cultura sul-rio-grandense também fazem desse estado um dos mais procurados pelos turistas.

Gramado, onde se realiza anualmente o mais tradicional festival de cinema do Brasil, e Canela atraem os amantes do chamado turismo de inverno.

Caxias do Sul e Bento Gonçalves – cidades tradicionalmente conhecidas como grandes produtoras de vinho – destacam-se na Serra Gaúcha. É a porção do território onde a cultura italiana mais se destaca. O turismo histórico também não deixa a desejar.

No noroeste localiza-se a região das Missões, local em que, no séc. XVII, jesuítas espanhóis fundaram os Sete Povos das Missões. As cidades de São Borja e de São Miguel ostentam ainda hoje as ruínas das construções jesuíticas, consideradas patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). São Borja, além disso, é a terra natal de dois ilustres personagens da história brasileira recente: os ex-presidentes Getúlio Vargas e João Goulart. Na Lagoa dos Patos, de singular beleza, localiza-se a cidade de Rio Grande, fundada em 1737 pelo brigadeiro José da Silva Pais. Na paisagem da capital Porto Alegre, o destaque é o rio Guaíba (na verdade, um estuário), em cujas margens foi construído o estádio Beira Rio, pertencente ao Internacional.

O índice de mortalidade infantil no Rio Grande do Sul é o mais baixo do Brasil: 18,4 mortes a cada mil crianças nascidas vivas, contra 33,6 a cada mil no restante do país. A participação do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho no PIB do Brasil é de 7,1%, inferior apenas a São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Suas cidades mais populosas, de acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000, são Porto Alegre (1.360.590 habitantes), Caxias do Sul (360.419 habitantes), Pelotas (323.158 habitantes), Canoas (306.093 habitantes) e Santa Maria (243.796 habitantes). O estado é formado por 497 municípios, distribuídos no território de 282.062 km2.

Vista do Cânion da Fortaleza, no Parque Nacional da Serra Geral, no nordeste do Rio Grande do Sul.

GEOGRAFIA

Relevo. O Rio Grande do Sul faz divisa com Santa Catarina ao norte, fronteira com o Uruguai ao sul e a Argentina a oeste, e é banhado pelo oceano Atlântico a leste. O relevo é variado e abrangente. Do ponto de vista geomorfológico, o estado é dividido em cinco unidades: a planície litorânea, o planalto sedimentar (arenítico-basáltico), a depressão central, o planalto uruguaio-rio-grandense e a planície de campanha.

Restingas de areia a leste e a oeste da Lagoa dos Patos e da Lagoa Mirim compõem a planície litorânea. Muitas lagoas menores que essas são encontradas na porção da planície litorânea, como a de Itapeva e a da Mangueira.

O planalto arenítico-basáltico, que vem a ser uma porção do Planalto Meridional do Brasil, é também chamado de planalto sedimentar. Seu nome se deve à interposição de camadas sedimentares e de basalto, estas originadas pelo derrame de lavas. É a parte mais alta e está localizada no norte do Rio Grande do Sul.

A depressão central, drenada pela bacia do rio Jacuí, infiltra-se e corta o estado no sentido leste–oeste, a partir do sul do planalto arenítico-basáltico.

O planalto uruguaio-rio-grandense localiza-se no centro-sul, no sentido oeste da Lagoa dos Patos, formando os terrenos cristalinos de que se constitui o escudo pré-cambriano.

Os vales do sudoeste formam a chamada planície de campanha. O rio mais importante do território gaúcho é o Uruguai, ao longo da fronteira com a Argentina e divisa com Santa Catarina. Outros rios importantes são Ijuí, Passo Fundo, Pelotas, Camacuã, Taquari, Jacuí e Ibicuí.

Vegetação. Tão variada quanto o relevo, a vegetação original gaúcha possui restingas e mangues na faixa litorânea; Mata Atlântica a leste, nordeste, centro e sudeste; campos gerais em grande parte do sul, centro-sul, centro, centro-oeste e noroeste; e a mata de araucária. Vale ressaltar que, da Mata Atlântica, que ocupava 47% do território, restam apenas cerca de 5%, enquanto a mata de araucária, que cobria grande parte do território do planalto, está praticamente extinta. Com clima majoritariamente subtropical, as chuvas são bem distribuídas, com índices pluviométricos de cerca de 1.500 mm anuais.

Monumento ao laçador, em Porto Alegre: inaugurada em 1954, representa o típico gaúcho.

HISTÓRIA

Antes da colonização, o território de pradarias do Rio Grande do Sul era habitado por índios guaranis, charruas e tapes. O povoamento pelos europeus, nos primeiros séculos da colonização do Brasil, deve-se aos jesuítas espanhóis provenientes do Paraguai, que catequizaram e ensinaram aos nativos o trabalho com o gado e a lavoura. A chegada, no início do séc. XVII, dos jesuítas na região (antigamente formada pelos territórios do Rio Grande e do Paraná) para fundar as Missões foi determinante para a história do estado. Os jesuítas conseguiram converter grandes contingentes de indígenas e introduziram o gado. Na primeira metade do séc. XVII houve combates entre indígenas e paulistas interessados no gado e na captura dos nativos. Os bandeirantes foram derrotados pelos índios, apoiados pelos jesuítas. Os célebres povoados dos Sete Povos das Missões foram criados pelos jesuítas em 1687, no noroeste, para abrigar os índios convertidos. Entretanto, a independência dos povos da região começou a incomodar Portugal e Espanha. Ambos os países firmaram, em 1750, um tratado pelo qual a região das Missões seria de propriedade dos portugueses, em troca da Colônia de Sacramento, fundada pelos portugueses em 1680 às margens do rio da Prata, perto de Buenos Aires. As Missões foram então desmanteladas. Desde 1726, interessados nos rebanhos bovinos, os colonizadores portugueses já afluíam para se instalar na região. A descoberta do ouro em Minas Gerais transformou os rebanhos gaúchos num importante meio de abastecimento para o contingente de exploradores que partiam em busca da riqueza ao norte. Entre 1740 e 1760, casais açorianos, incentivados pela política de imigração, chegaram à cidade de Rio Grande, fundada pelo brigadeiro José da Silva Pais no sangradouro da Lagoa dos Patos em 1737. Inicialmente determinados a cultivar o trigo, cujas lavouras chegaram a prosperar, integraram-se aos poucos à dominante pecuária. A Vila de Porto dos Casais, hoje a capital Porto Alegre, foi fundada em 1742. Em 1780, na cidade de Pelotas, foi criada a indústria do charque, que passou a ser utilizado na alimentação dos escravos e da população mais pobre. O charque viria a ser de grande importância para o estado e consolidaria sua vocação pecuarista. O couro do gado era exportado para o mercado europeu. O período de lutas entre Portugal e Espanha, desde a Europa, prolongava-se e refletia-se na luta por porções do território no sul do Brasil. Em 1801, Portugal acabou vencendo a disputa, e Sete Povos das Missões foi incorporada definitivamente como parte do território do futuro estado.

Vista da Cascata do Caracol, em Canela, uma das atrações turísticas das Serras Gaúchas.

Até então subordinada ao Rio de Janeiro, a capitania se tornou independente e passou a se chamar São Pedro do Rio Grande do Sul, elevando-se à categoria de província do Império português com a Independência do Brasil em 1822.

Gaúchos com roupas típicas fazem fogo de chão, churrasco típico, em Santana do Livramento.

O séc. XIX foi pródigo em revoltas. A mais importante foi a Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos. A insatisfação de parcela dos rio-grandenses-do-sul com o conflito entre suas particularidades regionais e o governo centralista do Império acabou por gerar a revolta, que se prolongou por dez anos (1835-1845). Os revoltosos pretendiam instaurar uma república confederada. Já no período republicano, eclodiu a Revolta Federalista, entre 1893 e 1895. O estado apaziguou-se com a chegada de Getúlio Vargas (gaúcho de São Borja) ao governo em 1928, e à Presidência da República após a Revolução de 1930. A tradição de lutas políticas do Rio Grande do Sul, assim como a participação de seus filhos na política nacional, é conhecida. Leonel de Moura Brizola, outro gaúcho, garantiu, em 1961, a posse do vice-presidente João Goulart, conterrâneo de Vargas, quando Jânio Quadros renunciou. Jair de Oliveira Soares foi eleito governador nas eleições diretas de 1982. Pedro Simon (1986), Alceu Collares (1990), Antonio Britto (1994), Olívio Dutra (1998) e Germano Rigotto (2002) elegeram-se nas eleições seguintes.

Cavalos crioulos andam livremente em uma fazenda de Uruguaina, no interior gaúcho.

ECONOMIA

O PIB do Rio Grande do Sul gira em torno de R$ 90 bilhões e representa 7,7% do PIB do país. É a quarta economia do país, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Tradicionalmente exportador, o Rio Grande do Sul enfrentou grandes dificuldades a partir da implementação do Plano Real, em 1994, em função da sobrevalorização do real em relação ao dólar e da alta taxa de juros. As indústrias de pequeno e médio porte e de caráter familiar, em grande número no estado, foram as que mais sofreram, devido ao alto custo do crédito necessário para expandir suas atividades. Esse quadro sofreu uma reversão a partir de 1999 com a desvalorização do real, que favoreceu a relação entre as exportações e as importações. No segundo semestre de 1999 e durante todo o ano de 2000, a alta das exportações – que chegaram ao patamar de 5,5 bilhões de dólares – permitiu aumentar o índice de desenvolvimento industrial que, em 2000, registrou crescimento de cerca de 10%. A instalação da fábrica da General Motors em Gravataí, no segundo semestre de 2000, é um exemplo desse crescimento.

No Rio Grande do Sul, as indústrias que melhor desempenho apresentam são a tabagista, a petroquímica e a alimentícia. O setor calçadista gaúcho também tem grande destaque no cenário nacional.

Apóia-se na tradição pecuária do estado, que, em 1999, contava com um rebanho de mais de 13,5 milhões de cabeças, menor apenas que o de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Boa parte do rebanho está na planície dos Pampas, próxima à fronteira com a Argentina e o Uruguai.

A sólida economia gaúcha tem ainda na agricultura um de seus pilares. Os gaúchos são os maiores produtores de grãos (soja, milho, arroz e trigo) do Brasil.

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