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ESPANHA
O país em resumo
Nome oficial: Reino da Espanha (Reino de España).
Capital: Madri.
Localização: Sudoeste da Europa Ocidental. Faz fronteira a Nordeste com Andorra e França, a Oeste com Portugal e ao Sul com Marrocos (pelo Estreito de Gilbratar). O país é banhado ao Sul e Leste pelo Mar Mediterrâneo, e a Norte pelo Oceano Atlântico.
Nacionalidade: espanhola.
Área: 504.782 km².
População (2010): 45.316.586 habitantes.
Densidade demográfica (2010): 89,53 hab./km².
Línguas oficiais: espanhol (nacional); catalão, galego e basco (regionais).
Composição étnica: a maioria da população é composta por espanhóis.
Religião: maioria cristã.

Governo:
Sistema de governo
: monarquia parlamentarista.
Chefe de Estado: Rei Juan Carlos I (desde 1975).
Primeiro-ministro: José Luís Zapatero (PSOE), desde 2004, reeleito em 2008).
Legislativo: bicameral. Senado, com 264 membros, e Congresso dos Deputados, com 350 membros – em ambos os casos, os mandatos são de quatro anos.
Principais partidos: Esquerda Unida (IU), Partido Popular (PP), Convergência e União (CiU), Partido Nacionalista Basco (EAJ/PNV) e Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Economia:
PIB (2009)
: 1.464.088 milhões de dólares.
Indústria: automóveis, navios, aço, cimento, produtos químicos, calçados, têxtil, produtos alimentícios.
Agropecuária: azeitona, frutas cítricas, uvas para vinho, cereais, lã, gado e aves.
Pesca e turismo: a pesca e o turismo desempenham papéis importantes na economia.
Exportação: automóveis, maquinaria, vinho, tabaco, celulose, calçados, tecidos.
Moeda: euro, que substituiu a peseta em 2002.
Mapa

Este país da Europa Ocidental ocupa 80% da Península Ibérica. É banhado pelo Oceano Atlântico e pelo Mar Mediterrâneo. Madri, a capital e maior cidade, fica no centro do país. A maior parte do território espanhol é um planalto árido e elevado chamado Meseta. Foi uma potência colonial entre os séculos XV e XIX. Povos de diversas nacionalidades formam sua população, entre eles, castelhanos, andaluzes, castelães, galegos e bascos. Entre suas tradições culturais mais fortes destacam-se as touradas e a dança flamenca.

A redemocratização do país, a partir da década de 1980, e os subsídios aplicados pela União Europeia (UE) possibilitaram um surto de desenvolvimento que transformou a Espanha numa potência econômica. O turismo, responsável por uma arrecadação anual de aproximadamente 30 bilhões de dólares, é uma importante fonte de divisas. A cidade de Santiago de Compostela, onde estaria sepultado o apóstolo são Tiago, é uma das rotas preferidas pelos turistas.

HISTÓRIA

Primeiros Tempos. Há cerca de 5 mil anos, os chamados iberos ocuparam grande extensão da Espanha. Os fenícios começaram a estabelecer colônias nas costas do leste e do sul do país no séc. XI a.C.

Povos celtas, vindos do norte, invadiram a Espanha em torno de 900 a.C. e, novamente, por volta de 600 a.C. Gregos desembarcaram no país aproximadamente em 600 a.C.

No séc. V a.C., a cidade de Cartago, no norte da África, conquistou grande parte da Espanha. O general cartaginês Aníbal atacou a Itália romana a partir da Espanha, no séc. III a.C. Todavia, os romanos derrotaram Aníbal na Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.), expulsando as forças cartaginesas da Espanha.

A conquista romana da Espanha começou durante essa guerra. Roma também conquistou a região onde atualmente está Portugal. Assim, pela primeira vez, toda a península Ibérica viu-se sob um único governo. A península tornou-se uma província romana chamada Hispania, da qual vem o nome do país.

Os romanos introduziram o latim na província, e a língua espanhola formou-se a partir do latim falado pelos espanhóis. O Cristianismo foi introduzido durante o domínio romano. Tornou-se a religião oficial da província em fins do séc. IV. Na mesma época, o Império Romano dividiu-se em dois.

No séc. V, tribos germânicas invadiram o Império Romano do Ocidente – do qual a Espanha fazia parte – e contribuíram para sua destruição em 476. Uma dessas tribos, a dos visigodos, invadiu a Espanha e conquistou toda a península em 573. Os visigodos, que eram cristãos, estabeleceram uma monarquia no país. A luta contínua entre os nobres visigodos enfraqueceu a nação.

Os visigodos dominaram a Espanha até o começo do séc. VIII, quando mouros do norte da África a invadiram. Os mouros, que eram muçulmanos, conquistaram quase todo o reino visigodo em 711. O governo mouro da Espanha entrou em colapso no começo do séc. XI.

Grupos de visigodos e de outros cristãos do extremo norte da Espanha permaneceram independentes após a conquista moura. Eles formaram um conjunto de reinos que, no séc. XI, começou a se expandir e a empurrar os mouros para o sul. Em fins do séc. XIII, as terras mouras na Espanha estavam reduzidas ao reino de Granada. Os reinos cristãos de Aragão, Navarra e Castela dominavam o restante da Espanha.

Avenida central em Madri, capital da Espanha, centro financeiro, cultural e político.

União dos Reinos Espanhóis. Em 1469, o príncipe Fernando de Aragão casou-se com a princesa Isabel de Castela. Isabel tornou-se rainha de Castela, em 1474, e Fernando, rei de Aragão, em 1479. Quase toda a atual Espanha se viu, portanto, sob a soberania do casal.

Em 1480, os monarcas instauraram a Inquisição Espanhola, um tribunal que perseguia os suspeitos de não seguir os ensinamentos da Igreja Católica. Os exércitos de Fernando e Isabel derrotaram os muçulmanos em 1492. Fernando ocupou o reino de Navarra em 1512, completando a união da Espanha.

Império Espanhol. Em 1492, os monarcas enviaram Cristóvão Colombo na viagem que o levaria até a América. Nos 50 anos seguintes, vários exploradores espanhóis foram para o Novo Mundo.

Em 1550, a Espanha dominava o México, a América Central, quase todas as ilhas do Mar das Caraíbas, parte do sudoeste dos EUA e grande parte da costa ocidental da América do Sul. Em 1494, Espanha e Portugal firmaram o Tratado de Tordesilhas, que dividia a América do Sul entre os dois países.

Em 1516, Carlos I da Espanha tornou-se rei. O império espanhol atingiu seu auge no reinado de Filipe II, que se tornou rei em 1556. Em 1580, Portugal foi unido à Espanha.

O Declínio Espanhol teve início no séc. XVI, pouco depois de o país ter atingido seu poderio máximo. Uma série de guerras esgotou o tesouro real e enfraqueceu seus exércitos.

Filipe esperava mudar a sorte da Espanha com a conquista da Inglaterra e lançou contra ela a Invencível Armada, que foi reduzida à metade pela Marinha inglesa e por uma violenta tempestade.

A Espanha decaiu ainda mais durante o governo dos soberanos que sucederam Filipe. Portugal separou-se da Espanha em meados do séc. XVII, e a França invadiu várias províncias espanholas.

A fim de terminar com esses ataques, o rei Carlos II da Espanha indicou um duque francês como herdeiro do trono espanhol. Carlos morreu em 1700 e Filipe de Anjou tornou-se o rei Filipe V da Espanha.

Esse fato provocou a Guerra da Sucessão Espanhola. A França lutou contra algumas nações europeias que se opunham ao seu domínio sobre a Coroa espanhola, mas acabou perdendo a guerra. Pelo tratado de paz, Filipe continuou rei da Espanha, mas esta perdeu suas possessões na Europa. Além disso, a Grã-Bretanha recebeu Gibraltar e Minorca.

No séc. XVIII, Espanha e Grã-Bretanha disputavam o domínio colonial da América. A Espanha auxiliou as colônias norte-americanas na guerra da independência contra a Grã-Bretanha. Os Tratados de Versalhes reconheceram a posse espanhola de Minorca.

Napoleão Bonaparte assumiu o governo da França em 1799. Inicialmente, aliou a França à Espanha, mas em 1808, exércitos franceses invadiram o país e tomaram o poder. Napoleão obrigou Fernando VII a renunciar ao trono espanhol e designou José Bonaparte como rei.

O povo espanhol resistiu à ocupação francesa. A oposição deu começo à Guerra Peninsular em 1808. Os franceses foram expulsos da península em 1813.

O rei Fernando VII voltou para o trono em 1814 e tentou recuperar o domínio do Império espanhol de ultramar. Durante a Guerra Peninsular, a maioria das colônias espanholas na América havia se revoltado, proclamando sua independência.

Em 1825, a Espanha tinha perdido todas as suas possessões de ultramar, com exceção de Cuba, Porto Rico, postos avançados na África, as Filipinas e a ilha de Guam.

Isabel II. Em 1833, a ascensão ao trono da filha de Fernando, sob o nome de Isabel II, foi contestada por um grupo político que desejava Dom Carlos – irmão dele – como rei. Em 1868, oficiais lideraram uma revolta que obrigou a rainha a abandonar o país. Seguiram-se alguns anos de conflitos e contestações. Em 1875, o filho de Isabel se tornou rei Afonso XII. Ele reinou até sua morte, em 1885.

Afonso XIII. A mãe de Afonso XIII reinou em seu lugar até ele ter idade para subir ao trono, em 1902.

Em 1890, Cuba e Filipinas revoltaram-se. Os EUA apoiaram Cuba e declararam guerra à Espanha em 1898. A Guerra Hispano-Americana terminou com a derrota da Espanha, que concedeu a independência a Cuba e entregou Guam às Filipinas e Porto Rico aos EUA.

A Espanha permaneceu neutra na Primeira Guerra Mundial. O fim da guerra causou desemprego na Espanha e os que tinham trabalho ganhavam pouco. Essas circunstâncias somavam-se ao descontentamento em relação ao governo de Afonso.

Nessa época, um movimento político em favor de uma forma republicana de governo se fortalecia na Espanha. Em princípios de 1931, Afonso convocou eleições municipais, e o povo votou maciçamente nos candidatos republicanos. O rei abandonou o país, embora se recusasse a renunciar aos seus direitos ao trono.

Guernica, obra do espanhol Pablo Picasso, sobre a destruição da cidade de Guernica pela aviação alemã em 1937, durante a Guerra Civil Espanhola.

Guerra Civil. Na eleição parlamentar, os grupos republicanos saíram vitoriosos. Niceto Alcalá Zamora foi eleito presidente. A divisão política na Espanha tornou-se mais acentuada. Líderes do Exército, monarquistas e grupos católicos formavam a Direita; comunistas, socialistas, sindicatos e grupos liberais, a Esquerda.

Em 1936, unidades do Exército revoltaram-se. Os rebeldes, liderados pelo general Francisco Franco, esperavam derrubar o governo e restaurar a ordem na Espanha. As forças que lutavam para salvar a República eram chamadas Legalistas. Ambos os lados mataram civis e prisioneiros num conflito que dizimou a Espanha por quase três anos. As forças legalistas renderam-se em 1939.

Segunda Guerra Mundial. Oficialmente, a Espanha permaneceu neutra no conflito, mas Franco se aproximou da Alemanha depois da queda da França, em 1940. Em fins de 1942, contudo, Franco se tornou mais cordial em relação à Grã-Bretanha, aos EUA e a outros países aliados.

Progresso e Descontentamento. Nas décadas de 1950 e 1960, a Espanha alcançou um dos mais altos índices de crescimento econômico do mundo.

Em meados da década de 1960, o país renovou seus esforços para recuperar Gibraltar. Em 1967, os habitantes de Gibraltar votaram a favor do governo britânico, e este decidiu conservar a colônia. As tentativas de independência dessa possessão britânica têm sido combatidas pela Espanha, que continua com o propósito de retomá-la.

Em 1968, uma organização a favor da criação de uma nação basca independente – Euskadi Ta Azkatasuna, ou Pátria Basca e Liberdade (ETA) – iniciou uma campanha terrorista contra o governo. Muitos bascos foram presos e condenados por atividades revolucionárias. A questão basca se arrasta até os dias de hoje.

Redemocratização. Quando Franco morreu, em 1975, o país cumpriu o que ele havia determinado em 1969: seu sucessor, o príncipe Juan Carlos, foi coroado rei.

O governo do primeiro-ministro Adolfo Suárez González consolidou a redemocratização. Os partidos foram legalizados; a censura, abolida; e eleições gerais, convocadas.

Em 1982, os socialistas foram vitoriosos. Ao contrário do que se esperava, o governo se aproximou do Ocidente, entrou para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e para a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e iniciou um programa de privatizações e austeridade que deu impulso à economia.

Em 1996, os conservadores do Partido Popular ganharam as eleições, e o seu líder, José María Aznar, assumiu o posto de primeiro-ministro. Para cumprir as exigências do Tratado de Maastricht, que previa a unificação das moedas europeias, Aznar anunciou um plano de ajustes econômicos extremamente rígido. Em 2000, Aznar foi reeleito. A Espanha foi um dos países que trocaram sua moeda tradicional pelo euro.

Detalhe da Igreja da Sagrada Família, Barcelona. Obra do arquiteto catalão Antonio Gaudí

ARTES

As artes na Espanha tiveram seu apogeu entre os séculos 16 e 17. Expostos em construções exacerbadamente trabalhadas no estilo barroco. O mesmo aconteceu com a pintura e a literatura, padrões mantidos até o século 19.

Entre os principais escritores espanhóis contam-se Cervantes, Pedro Calderón de la Barca, José Ortega y Gasset, Miguel de Unamuno, Antonio Buero Vallejo, Camilo José Cela, García Lorca e Juan Ramón Jiménez.

Os principais pintores espanhóis são El Greco, Bartolomé Murillo, Velásquez, Goya, Picasso, Salvador Dalí, Juan Gris, Joan Miró e Antonio Tàpies.

A arquitetura da Espanha revela a influência dos vários povos que já dominaram o país. Danças espanholas como o bolero, o fandango e o flamenco tornaram-se mundialmente conhecidas.

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