Conjunto formado pelo sistema nervoso central (SNC) constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal e sistema nervoso periférico (SNP), constituído pelas células e fibras nervosas. O sistema nervoso existe em todos os animais superiores (vertebrados). Ele é responsável por manter homens e animais em contato com o mundo que os cerca por meio das mensagens recebidas pelos órgãos dos sentidos, tais como os olhos e as orelhas. Interpreta as mensagens, faz os seres reagirem a elas e capacita todas as partes do organismo a trabalharem em conjunto para manter pessoas e animais vivos e sãos.
As principais células nervosas são chamadas neurônios. Como as demais células, os neurônios têm um núcleo cercado de citoplasma. O núcleo e o citoplasma formam o corpo celular. O citoplasma do neurônio prolonga-se para formar, de um lado, o axônio – um prolongamento fino e longo – e de outro, os dendritos – vários prolongamentos finos e ramificados. Um nervo pode ser constituído de uma única fibra nervosa ou por um feixe de fibras. Alguns neurônios, dependendo do local onde se encontram, têm os axônios e os dendritos curtos, e outros podem ter axônios com mais de 1 m de comprimento.
Os órgãos dos sentidos têm terminações nervosas especializadas, que respondem aos estímulos recebidos. Os neurônios que levam mensagens dos órgãos dos sentidos à medula espinhal e ao encéfalo são chamados neurônios sensitivos. Os que partem do encéfalo e da medula espinhal e controlam os músculos e as glândulas são chamados neurônios motores.
Os receptores nervosos nos órgãos dos sentidos respondem a estímulos especiais – por exemplo, ondas luminosas, ondas sonoras, contatos mecânicos e efeitos de substâncias químicas. Os neurônios em outras partes do corpo – especialmente na pele – percebem sensações de calor, frio, tato e mudanças de postura. As informações são enviadas ao encéfalo, que interpreta as mensagens na forma de sensações variadas.
Certas partes do sistema nervoso funcionam automaticamente, sem ordens conscientes do encéfalo. Após uma refeição, por exemplo, os neurônios fazem os músculos do intestino se contraírem e relaxarem automaticamente (peristalse), de modo que os alimentos se desloquem através do sistema digestório. Muitas outras funções corporais, como os batimentos do coração e a respiração, são controladas pelas partes autônomas do sistema nervoso.
Impulsos nervosos: O sistema nervoso humano tem vários bilhões de neurônios, todos interligados entre si. O impulso nervoso entra pelas sinapses, que podem ser o contato de um axônio e um dendrito, um axônio com um corpo celular, um dendrito com outro dendrito ou um axônio com outro axônio. As sinapses recebem os estímulos de um órgão receptor (um órgão dos sentidos, por exemplo) ou de outras fibras nervosas. O axônio transporta impulsos a outro neurônio ou a um órgão efetor (um músculo ou uma glândula).
As sinapses são regiões de contato entre dois neurônios ou entre um neurônio e um órgão efetor. Nelas, encontram-se estruturas chamadas bulbos terminais e placas terminais. Um estímulo provoca a liberação de substâncias químicas, denominadas neurotransmissores ou mediadores químicos, que desencadeiam um impulso nervoso após a sinapse, permitindo que ele se propague. Em certas sinapses, podem ocorrer transmissões tanto elétricas (sem intermediação de neurotransmissores) quanto químicas.
Para que um impulso passe de um órgão receptor a um neurônio, de um neurônio a outro ou de um neurônio a um órgão efetor, ele tem de transpor a sinapse.
PARTES DO SISTEMA NERVOSO
O Sistema Nervoso Central consiste no encéfalo e na medula espinhal. Esta é um tronco nervoso longo e espesso que desce da base do encéfalo pelo interior da coluna vertebral. A medula compõe-se de matéria branca (fibras nervosas com bainha de mielina, uma substância isolante) e matéria cinzenta (corpos celulares e dendritos de neurônios). Da medula espinhal saem 31 pares de nervos espinhais. Os nervos sensitivos entram na medula espinhal na sua parte posterior (raiz dorsal). Os nervos motores saem da medula espinhal na sua parte anterior (raiz ventral).
A maior parte dos impulsos nervosos que entram na medula espinhal é encaminhada diretamente ao encéfalo. Certas respostas a impulsos são elaboradas sem a participação do encéfalo, passando pela medula e indo diretamente a nervos motores (reflexos espinhais).
O Sistema Nervoso Periférico é formado de nervos e gânglios nervosos, ligando o sistema nervoso central a todas as partes do corpo. Os nervos podem ser cranianos ou espinhais.
Os nervos cranianos (12 pares) provêm da parte inferior do encéfalo. Esses nervos controlam músculos e nervos da região da cabeça, e também as sensações e ações, entre as quais a visão, o olfato, a mastigação e a deglutição.
Os nervos espinhais (31 pares) provêm da medula espinhal e controlam os músculos do corpo. São oito pares de nervos cervicais que saem da coluna vertebral na altura das sete primeiras vértebras. Abaixo deles, saem os 12 nervos torácicos. Os cinco pares de nervos lombares deixam a medula espinhal na região da curvatura lombar. Cada um dos cinco pares de nervos sacros e o único par de nervos coccígeos deixam a medula espinhal por entre as últimas vértebras da coluna vertebral.
O sistema nervoso periférico divide-se em dois ramos: o sistema nervoso somático e o sistema nervoso autônomo.
O Sistema Nervoso Somático é voluntário e está relacionado a respostas cujos estímulos provêm do ambiente externo, através de receptores cutâneos e sensoriais localizados principalmente na cabeça.
O Sistema Nervoso Autônomo regula os órgãos internos e os vasos sanguíneos. Esse controle é automático, e por isso pode sofrer influência do estado emocional do indivíduo.
O sistema nervoso autônomo tem duas partes: o sistema simpático e o sistema parassimpático. Os órgãos controlados por esse sistema podem ter nervos provenientes tanto do sistema simpático como do parassimpático. Tais nervos produzem reações opostas nos órgãos por eles inervados. Por exemplo, o sistema simpático aumenta a frequência cardíaca, e o parassimpático retarda o coração.
Os nervos do sistema simpático originam-se das porções torácica e lombar da medula espinhal.
Os nervos do sistema parassimpático são divididos em seções craniana (encéfalo) e sacral. A seção craniana principia com células no tronco encefálico, a parte inferior do encéfalo. A seção sacral começa com células na parte inferior, ou porção sacra, da medula espinhal. Os nervos parassimpáticos vão da medula espinhal aos gânglios próximos a um órgão.
COMO OS NERVOS FUNCIONAM
Os impulsos nos nervos humanos que apresentam bainha de mielina deslocam-se com uma velocidade superior a 90 m/s. Nas fibras não mielinizadas do sistema nervoso autônomo, a velocidade dos impulsos pode baixar de 0,5 a 2 m/s.
A membrana que cerca cada célula ou fibra nervosa é polarizada – isto é, tem cargas elétricas opostas em cada um dos lados. Íons positivos estão localizados fora da membrana. Dentro dela há íons com carga negativa. No ponto em que o impulso começa, a membrana só deixa passar certos íons de carga positiva (do sódio). Esses íons deslocam-se rapidamente dentro da membrana e causam uma despolarização local da membrana do nervo. Isso produz uma carga eletronegativa local chamada potencial de ação. A despolarização dura frações mínimas de segundo. O nervo não pode conduzir impulsos durante esse tempo, que é chamado período refratário. A polarização é restabelecida pelo movimento de íons positivamente carregados (do potássio), de dentro para fora da membrana. Todo o processo percorre a fibra nervosa até uma sinapse. O nervo, assim que se repolariza, tem condições de conduzir outro impulso.
Quando um impulso atinge uma sinapse, ele é passado para outra fibra nervosa ou a um órgão. Na maioria das sinapses, isso ocorre graças à liberação de um transmissor químico. A substância química atua como um estímulo que inicia um impulso na fibra nervosa seguinte ou faz um órgão ou músculo reagir.
A intensidade e a velocidade do impulso em um nervo não variam, seja qual for a força ou a natureza do estímulo. Um nervo, entretanto, pode enviar impulsos com maior frequência quando um forte estímulo é aplicado à sinapse ou ao órgão do sentido. Porém, o impulso nervoso só se propaga se a intensidade de um estímulo for maior do que um valor potencial limiar. Por isso dizemos que a propagação de um impulso nervoso obedece à lei do 'tudo ou nada'.
Depois de um nervo sensitivo ter sido estimulado, os impulsos chegam ao encéfalo. Este decide, então, como responder. Por exemplo, alguém vê um lápis na mesa e decide pegá-lo. Impulsos de nervos dos olhos da pessoa passam ao longo do nervo sensitivo até o cérebro. O cérebro envia impulsos pelos nervos motores aos músculos do braço e da mão.
Alguns impulsos não chegam ao encéfalo. O circuito é reduzido, passando apenas pela medula espinhal, onde a resposta é elaborada. A via que o impulso nervoso segue é chamada arco reflexo. Por exemplo, uma picada de alfinete na pele estimula um receptor de sensação dolorosa. Os nervos motores mandam a mensagem de dor aos músculos, que produzem no corpo um brusco movimento involuntário para retirar o dedo.
LESÕES DO SISTEMA NERVOSO
Se um axônio ou um dendrito de um neurônio for cortado por uma lesão, a fibra seccionada será absorvida pelo corpo. Se a lesão for no sistema nervoso periférico, a célula nervosa poderá regenerar a fibra. Se, todavia, o dano atingir o corpo celular, ou se a fibra nervosa cortada estiver no sistema nervoso central, todo o neurônio degenerará.
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