Movimento artístico-literário que surgiu no Brasil após a Primeira Guerra Mundial. Foi uma violenta reação ao subjetivismo, decadente e incompatível com o século 20, que avançava, do Romantismo, e ao formalismo rígido e elitista da poesia parnasiana.
O Modernismo reivindicou a necessidade de uma renovação radical dos meios, das formas e das fórmulas de expressão artística, estimulando a pesquisa sobre a realidade brasileira. O ideal era estabelecer uma consciência criadora nacional, integrando o homem brasileiro à sua nacionalidade. A literatura passou, então, a tratar de temas tipicamente nacionais, criando, por conseguinte, uma identidade própria.
Dois aspectos marcantes da ficção anteciparam-se a esse movimento: o regionalismo, que refletia a linguagem e as particularidades da região em que se desenvolvia a trama; e a literatura urbana, que fixava os tipos, os costumes e a linguagem da cidade.
Assim, são consideradas pré-modernistas as obras Os sertões (1902), de Euclides da Cunha, e Canaã (1902), de Graça Aranha, entre muitas outras de caráter regionalista. Destacaram-se ainda os autores Lima Barreto, Augusto dos Anjos, Graça Aranha e Monteiro Lobato.
Na literatura urbana pré-modernista distinguiram-se O triste fim de Policarpo Quaresma (1915), de Lima Barreto; Visões, cenas e perfis (1918), de Adelino Magalhães; e Pasquinadas cariocas (1921), de Antônio Torres.
Um grupo de sociólogos e pensadores políticos deu grande contribuição para o descobrimento da realidade verdadeira brasileira, fundamental para o Modernismo, como Gilberto Amado, Oliveira Viana, Paulo Prado, Alberto Torres, Agripino Grieco e João Ribeiro.
O marco oficial do Modernismo no Brasil foi a Semana de Arte Moderna, em 1922. Num país saturado de influências estrangeiras, proclamou-se um nacionalismo radical.
De 1922 a 1930, predominou uma orientação revolucionária, de repúdio e destruição da arte tradicional (naquela época, a arte simbolista e parnasiana). Essa primeira fase foi polêmica, marcada por uma vigorosa busca de originalidade. O grande líder dessa investigação foi Mário de Andrade. Seu livro de poemas Pauliceia desvairada (1922) inaugurou definitivamente o movimento. Outro modernista de grande destaque foi Oswald de Andrade, cuja obra de estreia foi Os condenados (1922).
São ainda nomes expressivos da primeira fase do movimento: Ronald de Carvalho, Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira, Ribeiro Couto Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado.
A partir de 1930, o Modernismo se estabilizou. Pouco a pouco, as posições extremadas contra a arte tradicional foram abandonadas. Tornou-se prioridade aumentar a produção de obras genuinamente brasileiras.
Na ficção, a geração de 1930 teve também grandes destaques, como José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, José Américo de Almeida, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Amando Fontes, Otávio de Faria, Ciro dos Anjos, Cornélio Pena, Érico Veríssimo e Lúcio Cardoso.
Na poesia dessa fase encontramos os nomes representativos de Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima, Cecília Meireles e Vinícius de Moraes. Tiveram destaque também os ensaístas Gilberto Freire, Alceu Amoroso Lima, Álvaro Lins, Afonso Arinos de Melo Franco e Otávio de Faria.
Em 1945, a literatura brasileira passou a apresentar novas características. Acentuaram-se a forma e o estilo apurados, numa tentativa de conciliar as convenções estéticas do passado e as ideias de vanguarda da época. Esse período é chamado por Alceu Amoroso Lima de Pós-modernismo. Incluem-se nele Guimarães Rosa e Clarice Lispector, na ficção; e João Cabral de Melo Neto, Paulo Mendes Campos, Ledo Ivo e Geir Campos, na poesia. No terreno da crítica, foram representativas as contribuições de Afrânio Coutinho, Osvaldino Marques, Eduardo Portela, Waltensir Dutra, Othon Moacir Garcia, Fausto Cunha e Péricles Eugênio da Silva Ramos.
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