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MODERNISMO
Organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922: René Thiollier, Manuel Bandeira, Manoel Villaboin, Francesco Petinatti, Paulo Prado, Afonso Schmidt, Mário de Andrade, Cândido Mota Filho, Graça Aranha, Goffredo da Silva Telles, Couto de Barros, Borba de Morais, Luís Aranha, Tácito de Almeida e Oswald de Andrade

Movimento artístico-literário que surgiu no Brasil após a Primeira Guerra Mundial. Foi uma violenta reação ao subjetivismo, decadente e incompatível com o século 20, que avançava, do Romantismo, e ao formalismo rígido e elitista da poesia parnasiana.

O Modernismo reivindicou a necessidade de uma renovação radical dos meios, das formas e das fórmulas de expressão artística, estimulando a pesquisa sobre a realidade brasileira. O ideal era estabelecer uma consciência criadora nacional, integrando o homem brasileiro à sua nacionalidade. A literatura passou, então, a tratar de temas tipicamente nacionais, criando, por conseguinte, uma identidade própria.

Dois aspectos marcantes da ficção anteciparam-se a esse movimento: o regionalismo, que refletia a linguagem e as particularidades da região em que se desenvolvia a trama; e a literatura urbana, que fixava os tipos, os costumes e a linguagem da cidade.

Assim, são consideradas pré-modernistas as obras Os sertões (1902), de Euclides da Cunha, e Canaã (1902), de Graça Aranha, entre muitas outras de caráter regionalista. Destacaram-se ainda os autores Lima Barreto, Augusto dos Anjos, Graça Aranha e Monteiro Lobato.

Na literatura urbana pré-modernista distinguiram-se O triste fim de Policarpo Quaresma (1915), de Lima Barreto; Visões, cenas e perfis (1918), de Adelino Magalhães; e Pasquinadas cariocas (1921), de Antônio Torres.

Um grupo de sociólogos e pensadores políticos deu grande contribuição para o descobrimento da realidade verdadeira brasileira, fundamental para o Modernismo, como Gilberto Amado, Oliveira Viana, Paulo Prado, Alberto Torres, Agripino Grieco e João Ribeiro.

O marco oficial do Modernismo no Brasil foi a Semana de Arte Moderna, em 1922. Num país saturado de influências estrangeiras, proclamou-se um nacionalismo radical.

De 1922 a 1930, predominou uma orientação revolucionária, de repúdio e destruição da arte tradicional (naquela época, a arte simbolista e parnasiana). Essa primeira fase foi polêmica, marcada por uma vigorosa busca de originalidade. O grande líder dessa investigação foi Mário de Andrade. Seu livro de poemas Pauliceia desvairada (1922) inaugurou definitivamente o movimento. Outro modernista de grande destaque foi Oswald de Andrade, cuja obra de estreia foi Os condenados (1922).

São ainda nomes expressivos da primeira fase do movimento: Ronald de Carvalho, Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira, Ribeiro Couto Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado.

A partir de 1930, o Modernismo se estabilizou. Pouco a pouco, as posições extremadas contra a arte tradicional foram abandonadas. Tornou-se prioridade aumentar a produção de obras genuinamente brasileiras.

Na ficção, a geração de 1930 teve também grandes destaques, como José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, José Américo de Almeida, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Amando Fontes, Otávio de Faria, Ciro dos Anjos, Cornélio Pena, Érico Veríssimo e Lúcio Cardoso.

Na poesia dessa fase encontramos os nomes representativos de Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima, Cecília Meireles e Vinícius de Moraes. Tiveram destaque também os ensaístas Gilberto Freire, Alceu Amoroso Lima, Álvaro Lins, Afonso Arinos de Melo Franco e Otávio de Faria.

Em 1945, a literatura brasileira passou a apresentar novas características. Acentuaram-se a forma e o estilo apurados, numa tentativa de conciliar as convenções estéticas do passado e as ideias de vanguarda da época. Esse período é chamado por Alceu Amoroso Lima de Pós-modernismo. Incluem-se nele Guimarães Rosa e Clarice Lispector, na ficção; e João Cabral de Melo Neto, Paulo Mendes Campos, Ledo Ivo e Geir Campos, na poesia. No terreno da crítica, foram representativas as contribuições de Afrânio Coutinho, Osvaldino Marques, Eduardo Portela, Waltensir Dutra, Othon Moacir Garcia, Fausto Cunha e Péricles Eugênio da Silva Ramos.

Recriação do pavilhão pintado por Lasar Segall para o Salão Modernista, demolido em 1944

Modernismo na América Espanhola. No fim do século 19, surgiu nos países hispano-americanos um movimento de renovação literária, em consequência do esgotamento do Romantismo, que se havia tornado ‘melodramático’ e excessivamente sentimentalista. Com o desaparecimento das preocupações revolucionárias da geração anterior, os escritores voltaram-se para o Parnasianismo francês.

O Modernismo hispano-americano, 40 anos mais antigo que o brasileiro e muito diferente dele, caracterizou-se pela renovação do conceito de poesia, pelo esteticismo e pelo culto de mitologias estranhas aos países em que se desenvolveu. Expressou-se sobretudo na poesia, embora alguns de seus representantes tenham escrito romances, contos e ensaios. As literaturas espanhola e portuguesa da época sofreram alguma influência desse movimento.

Os precursores do Modernismo hispano-americano foram o colombiano José Asunción Silva (1865-1896), autor de Poesias (1886); e o cubano José Martí (1835-1895). A maior figura desse movimento foi o poeta nicaraguense Rubén Dario, conhecido como príncipe de las letras castellanas. Com ele se formou a primeira geração modernista, representada ainda pelo mexicano Manuel Gutiérrez Nájera (1859-1895), fundador da revista Azul, divulgadora do movimento; pelo uruguaio Júlio Herrera y Reissig (1875-1910), autor de As clepsidras e outros; e pelo cubano Julián del Casal, que adotou a estética modernista em Neve (1892).

Na segunda geração modernista destacaram-se o argentino Leopoldo Lugones (1874-1938), os mexicanos Amado Nervo (1870-1919) e Salvador Diaz Mirón (1863-1918), o boliviano Ricardo Jaimes Freyre (1868-1933) e o colombiano Guillermo Valencia (1873-1943). O peruano José Santos Chocano (1875-1934) diferenciou-se dos outros pela temática nacional de sua obra. O uruguaio José Enrique Rodó (1872-1917) foi o teórico do movimento modernista hispano-americano, com seu ensaio ‘Ariel’, de 1900.

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