Chamamos nazi-fascismo à ideologia – e aos regimes totalitários que a seguiram – marcada por seu caráter nacionalista, antidemocrático, antioperário, antiliberal e antissocialista. O nazi-fascismo emergiu como resultado político da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e expandiu-se pela Europa como reação ao avanço do movimento operário-socialista, amparado pela instauração do comunismo na União Soviética. Além disso, apresentava-se como alternativa ao liberalismo político e econômico, típico do século XIX, num período em que o liberalismo já não conseguia dar mostras de eficiência, como revelou a crise de 1929. Nesse sentido, propunha o autoritarismo político e o intervencionismo econômico. Dentre as principais características dessa ideologia, algumas emergiram com maior intensidade em determinados países, ao contrário de outros, onde elas pouco se manifestaram. Características: • Totalitarismo: subordinação dos interesses individuais aos do Estado. • Nacionalismo: tudo pela nação, cuja grandeza deve ser buscada pela totalidade da sociedade. • Militarismo: a guerra permite um aprimoramento individual e nacional. • Expansionismo: expansão territorial é uma necessidade à sobrevivência da nação; no caso nazista, defendia-se a ideia do "espaço vital". • Corporativismo: o Estado totalitário aparece como árbitro de todos os conflitos no interior da sociedade. • Anticomunismo: defesa do combate ao comunismo tanto dentro do país (perseguições) quanto no âmbito internacional (aniquilação da União Soviética). • Racismo: crença na superioridade racial dos brancos sobre os não-brancos (arianismo); este aspecto foi particularmente importante no caso nazista.
A crise de 1929 afetou profundamente a vida econômica de algumas nações europeias, gerando desemprego e miséria. Muitos trabalhadores, inspirados pelo exemplo soviético, aderem ao socialismo, ameaçando a ordem burguesa. Simultaneamente, o pensamento liberal não oferece soluções para os problemas econômicos que o mundo ocidental deve enfrentar. O nazi-fascismo, portanto, surge num contexto de crise do liberalismo e de ameaça de avanço comunista. Os países em que mais se desenvolve são Itália e Alemanha, coincidentemente os mais duramente atingidos pela crise de 1929. Teste agora seus conhecimentos sobre o tema respondendo à questão da Fundação Getúlio Vargas: Durante a ascensão do nazismo na Alemanha, vários elementos são considerados como fatores causais. Dentre estes, são frequentemente apontados:
a) a instabilidade institucional da República de Weimar e a depressão prolongada entre 1925 e 1929; b) a ação dos grandes conglomerados financeiros controlados, em sua maioria, por judeus e as perdas territoriais subsequentes ao Tratado de Brest-Litovsk; c) o militarismo prussiano, a crescente ameaça comunista, especialmente depois da queda do governo de Béla Kun, e a invasão belga da Renânia; d) o Tratado de Versalhes, a inflação de 1921-24 e a depressão dos anos 30; e) o descontentamento maciço com o tratamento dado pelas novas nações às minorias alemãs, evidenciado pelos conflitos teuto-polonês (acerca do estatuto de Memel) e teuto-húngaro (acerca dos Sudetos). A alternativa correta é d. Comentário: Ao final da Primeira Guerra, a Alemanha se sentiu humilhada com os termos do Tratado de Versalhes. Além da humilhação, uma violenta crise econômica atingiu a economia alemã no início dos anos de 1920, levando o país a conviver com uma inflação absurda (em 1923, o índice foi de 32.400% ao mês) e o desemprego crônico. A partir de 1929, com o agravamento da crise econômica na Europa, o desemprego e a inflação atingiram níveis insuportáveis e a incompetência da República de Weimar em dar soluções a esses problemas manifestou-se com grande intensidade. Nesse contexto, o Partido Nazista e suas ideias ganharam força e a adesão ao nazismo, que contava com eficiente propaganda, foi enorme. O resultado foi que, nas eleições parlamentares de 1932, o Partido Nazista obteve expressiva vitória, e Hitler foi nomeado primeiro-ministro pelo presidente Hindenburg.
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