Você Sabia? O Crime do Padre Amaro - O emprego do estilo indireto livre ou semi-indireto na narrativa ganha importância fundamental no Realismo a partir de Gustave Flaubert e Émile Zola, e merece posição de destaque no romance O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós.
|
|
Nesse romance, em meio a uma narrativa que recria o coloquialismo português, o autor ataca violentamente os vícios da sociedade da época e denuncia a hipocrisia burguesa e os abusos do clero. O enredo desenvolve-se a partir da vida de Amaro Vieira. Filho de uma criada da marquesa de Alegros, Amaro é adotado pela própria marquesa após a morte da mãe. Posteriormente, com a morte da mãe adotiva, é encaminhado para o seminário. Graças à interferência do conde de Ribamar, esposo de uma das filhas da marquesa, Amaro é transferido para a província portuguesa de Leiria. É acolhido pela senhora Joaneira e se envolve sexualmente com sua filha, Amélia, jovem religiosa cuja natureza frívola a leva a aceitar passivamente os conselhos dos padres e das beatas que freqüentam sua casa.
Escândalo. Quando Amélia fica grávida, ele a esconde, por temer um escândalo que abalaria sua respeitada posição de pároco. A jovem morre no parto e entrega a criança a uma "tecedeira de anjos" (pessoa que cuidava das crianças até que a mãe pudesse assumi-las). Mais tarde, quando a criança também morre, Amaro transfere-se para a paróquia de Santo Tirso, onde continua a exercer sua função de sacerdote.
O cenário
Em O Crime do Padre Amaro podemos destacar a descrição minuciosa dos meios sociais. Por meio delas, o narrador visa reconstituir os ambientes freqüentados pelas personagens, os quais, portanto, explicam a sua natureza.
A cidade. Quando o narrador descreve Leiria – cidade onde se desenrola a narrativa – a partir do provincianismo de seus habitantes, acaba atribuindo a esse ambiente uma função complementar daquela exercida por seus moradores. Desse modo, fica mais fácil entender a intenção do narrador quando ele se detém na descrição de aspectos da cidade que demonstram a monotonia de um povo desprovido de interesses e na caracterização de ambientes cujos traços derivam das personagens que os habitam.
As personagens e o narradorAmaro Vieira é, inicialmente, um jovem temeroso e apaixonado. No decorrer da narrativa, torna-se um homem inescrupuloso que coloca seus interesses particulares acima de sua opção religiosa e se serve do sacerdócio para manipular as pessoas e satisfazer a suas ambições. O romance é relatado em terceira pessoa por um narrador onisciente que se utiliza do passado das personagens para configurá-las moral, física e ideologicamente.
Caráter fraco. Calcado na concepção determinista da existência humana, sobre a qual se fundamentou o movimento realista, o narrador apresenta os aspectos que conduzem às deformidades morais do protagonista, pintando um retrato de Amaro que se estrutura a partir de sua origem humilde, de sua fragilidade física e, principalmente, de sua fraqueza de caráter, que o faz aceitar resignadamente um destino que não escolhera.
Vícios. Também é essencial o estudo detalhado de personagens secundárias: integrantes dos círculos de amizade dos protagonistas, elas constituem o clima sociocultural e moral da narrativa, uma vez que os vícios dos clérigos, colegas de Amaro, e a mesquinhez das beatas, frequentadoras da casa de Amélia, são apontados pelo narrador como os verdadeiros causadores da degradação moral dos protagonistas.
Para ler sobre a vida e a obra de Eça de Queirós, clique aqui.Para ler o resumo de outro livro de O Primo Basílio, clique aqui. Para saber mais sobre Realismo, clique aqui.
|
|