O conhecimento e o uso da variante culta, aquela que se manifesta de maneira mais completa na língua escrita, são sempre indicadores de prestígio. Por isso, a utilização dessa variante costuma ser explorada, de maneira mais ou menos consciente, como recurso argumentativo, isto é, como expediente para dar autoridade à palavra de quem fala. Veja no exemplo tirado de O Coronel e o Lobisomem, de José Cândido de Carvalho, a maneira como o coronel relata os recursos de linguagem que adotou para intimidar a encantação (o lobisomem): "Como no caso da sereia, tratei a encantação em termos de cerimônia, sois-isso, sois-aquilo, dentro dos conformes por mim aprendidos em colégio de frade a dez tostões ao mês. Desse modo, ficava estipulado que o cativo não andava em mão de um coronelão do mato, despido de letras e aprendizados, uma vez que vadiagem das trevas leva muito em conta a instrução dos demandistas. No presente caso do lobisomem, nem careci de empregar outras sabedorias".
Veja também - Para saber mais sobre este assunto: Clique aqui e leia Variantes linguísticas. Clique aqui e leia Manifestação das variantes linguísticas. Clique aqui e leias Variantes do léxico.
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