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Realidade nordestina - O estilo de Graciliano Ramos – seco, frio, enxuto e impessoal, repleto de senso psicológico – aproxima-o de Machado de Assis, do qual é considerado legítimo continuador, sabendo exprimir a amarga realidade do homem nordestino com agudeza.
Nascido em Quebrangulo, Alagoas, Graciliano Ramos era o primogênito de 15 irmãos, filho de um casal sertanejo de classe média. Graciliano iniciou seus estudos em Maceió, mas não chegou a completá-los.

Casou-se em 1915 com Maria Augusta de Barros, modesta costureira, e estabeleceu-se com uma loja de miudezas chamada Sincera. Cinco anos depois, enviuvou e, ficando com quatro filhos, iniciou a redação de Caetés.

Em 1927, foi eleito prefeito da cidade de Palmeira dos Índios e exerceu o cargo com honestidade e rigidez. Casou-se, depois de dois meses de namoro, com Heloísa de Medeiros. Renunciou ao cargo de prefeito e partiu para Maceió, sendo nomeado diretor da Imprensa Oficial do Estado de Alagoas. De 1933 a 1936, exerceu o cargo de diretor de Instrução Pública de Alagoas e durante esse período publicou São Bernardo (1934).


Estilo preciso
 
A linguagem sintética e incisiva reflete os cuidados rigorosos de Graciliano Ramos para poder retratar a paisagem do Nordeste agreste, das zonas agropecuárias.

O herói é sempre problemático e revoltado, pois não aceita o mundo e vive o drama de seu destino, daí não aceitar também aos outros nem a si mesmo. Cada personagem é símbolo da opressão e da dor, como o sertanejo desarraigado, levado do mundo primitivo e imóvel para o mundo de movimento, de seres oprimidos.

Experiência comunista

Em março de 1936, Graciliano foi preso sob a vaga acusação de comunismo. Dessa experiência resultou o livro Memórias do Cárcere (publicado postumamente em 1953), sério depoimento da realidade brasileira durante o Estado Novo. Foi libertado em janeiro de 1937, depois da luta da esposa e de intelectuais, uma vez que não havia acusação formal ou julgamento, passando a morar no Rio de Janeiro.

Em 1938, publicou Vidas Secas. No ano seguinte, foi nomeado inspetor federal do ensino secundário. Integrou o Partido Comunista de 1945 a 1947. Viajou para países socialistas do Leste Europeu em 1952, experiência descrita em Viagem.

Em março de 1936, Graciliano foi preso sob a vaga acusação de comunismo. Dessa experiência resultou o livro Memórias do Cárcere (publicado postumamente em 1953), sério depoimento da realidade brasileira durante o Estado Novo. Foi libertado em janeiro de 1937, depois da luta da esposa e de intelectuais, uma vez que não havia acusação formal ou julgamento, passando a morar no Rio de Janeiro.

Já gravemente doente, foi a Buenos Aires para ser operado. Porém, em 20 de março de 1953, aos 60 anos, depois de ficar internado por dois meses, Graciliano Ramos perdeu a luta contra um câncer pulmonar, decorrente do cigarro – companheiro de escrita –, e morreu.

Para ler o resumo de Vidas Secas, clique aqui.


 
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