— A matriz energética brasileira é baseada, em grande parte, em combustíveis fósseis e não-renováveis. Além de ambientalmente incorretos, esses combustíveis aumentam a dependência externa do país.
— Atualmente, o Brasil importa 100 mil barris/dia de óleo diesel, pois a capacidade de refino nacional não dá conta da demanda. Também existe um déficit no comércio do gás liquefeito de petróleo (GLP).
— Grande parte do gás natural consumido no Brasil vem da Bolívia. A aproximação dos dois países começou na década de 60.
— Em 1999, foi inaugurada a primeira parte do gasoduto Brasil-Bolívia. No mesmo ano, com a descoberta de importantes reservas de gás natural em duas localidades bolivianas que contavam com investimentos da Petrobrás, a estatal brasileira começou a atuar no país vizinho.
— Os primeiros atritos começaram em 2005, com a explosão de um carro-bomba na cidade de Santa Cruz de la Sierra, em frente à sede da Petrobrás na Bolívia.
— Em 1º de maio de 2006, o presidente boliviano Evo Morales nacionalizou e deu ao Estado o “controle absoluto” sobre todos os hidrocarbonetos. Militares e funcionários da YPFB ocuparam duas refinarias da Petrobrás.
— Em 6 de maio de 2007, novo decreto de Morales deu monopólio das exportações de petróleo cru reconstituído e de gasolina branca à YPFBA.
— A Petrobrás, que até então havia decidido permanecer no país como minoritária, decidiu vender 100% de suas refinarias. A proposta para venda estava entre US$ 120 milhões a US$ 160 milhões. A contraproposta do governo boliviano foi de US$ 112 milhões. O presidente Lula ordenou à Petrobrás que fechasse o negócio.
— Alguns analistas temem que aconteça com o Brasil o mesmo que a Argentina vem passando nos últimos meses: uma crise energética que já paralisou cerca de 300 indústrias, enquanto outras 4.900 padeciam de graves racionamentos.
— Desde 2003, a economia argentina registra um crescimento de 9% em média por ano. Mas, os investimentos no setor energético praticamente inexistiram. Além disso, o inverno seco de 2007 agravou a situação, ao afetar a operação das hidrelétricas.
— No Brasil, embora a situação não esteja tão grave, algumas atitudes do governo brasileiro têm desestimulado o investimento na produção de eletricidade e em diversas áreas da infraestrutura: em especial as falhas na regulamentação setorial e indefinição quanto aos papéis do governo e dos capitais privados.
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