Manuel Antônio de Almeida – Memórias de um Sargento de Milícias
Embora haja comprovações da origem alemã, muitos estudiosos afirmam que a comemoração do Divino Espírito Santo surgiu no início do século 14, por influência de D. Isabel, esposa do rei português D. Dinis. A devoção cresceu rapidamente e se tornou uma das mais populares em Portugal. A tradição foi estabelecida no Brasil no século 16. |
 | | | Manuel Antônio de Almeida |
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| Tradição em decadência Em Memórias de um Sargento de Milícias, Manuel Antônio de Almeida afirma que, no século 19, a festa já estava em decadência. Narrando as peripécias de Leonardo Pataca no tempo do rei D. João VI, o autor coloca no caminho do personagem ainda criança e no de seu padrinho a Folia do Divino, uma espécie de preparação da festa principal.
A descrição é detalhada e inclui um trecho das cantigas utilizadas pelos pastores, que retrata o espírito das comemorações: O Divino Espírito Santo é um grande folião, amigo de muita carne, muito vinho e muito pão.
Novas leituras
A bandeira do Divino Na festa do Divino havia palanques e coretos armados para o assento do Imperador do Divino: uma criança ou um adulto era escolhido para presidir a festa com direitos régios. Em certas localidades do Brasil, o Imperador do Divino podia até mesmo libertar presos comuns. Para os preparativos e a organização da festividade, havia antes a Folia do Divino. Nela, um grupo, liderado pelo Imperador e composto por pastores, barbeiros e irmãos, pedia e recebia auxílio de toda espécie. Eram músicos e cantores que percorriam vastas regiões durante meses, levando uma bandeira ilustrada pela pomba, símbolo do Espírito Santo.
A bandeira do Divino era recepcionada com devoção em toda parte. A celebração do Espírito Santo é móvel: ela acontece dez dias após a quinta-feira da Ascensão do Senhor. Com sua festa - que inclui missa cantada, procissão, leilão de prendas, exibição de autos e cavalhadas -, a tradição ainda vive em certas vilas e cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Neste último, uma das maiores e mais conhecidas é a de Mogi das Cruzes. Várias localidades situadas em Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Maranhão, Amazonas, Espírito Santo, Goiás e Distrito Federal também se dedicam a promover e manter a fé e o costume.
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