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Conteúdos para professores  

Escrita e computador ou escrita no computador?
Ler o mundo: o primeiro objetivo, a verdadeira competência das competências". (Paulo Freire)

Público-alvo – para professores do ensino fundamental ou do ensino médio, preferencialmente de Língua Portuguesa.


Como favorecer as competências escritoras nos alunos? Segundo Perrenoud, competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações. Competências estão ligadas a contextos culturais, profissionais e condições sociais.

Isto posto, qual seria o papel da escola na formação de competências leitoras de seus alunos? E ainda, como se apropriar da linguagem web para este mesmo objetivo?

Já dissemos em outra ocasião que a linguagem que caracteriza a internet, se compõe dos vários elementos que o computador favorece: cortar, recortar, colar, negritar, colorir, incluir áudio, imagens, vídeos, ícones, emoticons, fazer links, hipertextos, consultar e/ou produzir sites, blogs etc. são algumas de suas possibilidades que podem e devem ser incorporados na escola, particularmente em trabalhos de produção de textos, que é do que vamos tratar nesta atividade.

Escrever não é uma tarefa muito fácil, ainda mais quando se pensa que se está escrevendo para que alguém leia nossa produção, seja o professor, os colegas ou, no caso de publicação na internet, todos que quiserem e tiverem interesse. Neste sentido, escrever com a intenção de publicar o texto num blog (veja o que é um blog aqui no Yahoo! Busca Educação: “Use blogs como instrumento pedagógico”), requer uma série de procedimentos que precisam ser devidamente acompanhados pelo professor, no caso de considerarmos esta iniciativa uma proposta de atividade escolar.

Quer algumas sugestões? Inicie pesquisando na internet (veja as orientações do Manual Yahoo! de Pesquisa), quais os gêneros de texto que se produz mais comumente nos blogs?

Utilize a busca do Yahoo! para encontrar endereços de blogs de artigos de opinião, de produção literária como crônicas, poemas etc.

Sugiro, dentre muitos outros, que se visite também o blog “Taxitramas”, de um taxista de Porto Alegre, Mauro Castro, que conta histórias que se passam em seu táxi, tendo os passageiros como persongagens.

Cientes de que a escrita além de ser um ato de expressão de idéias, de sentimentos, de experiências, quando cientes de que teremos na “outra ponta da linha” leitores, nos vemos obrigados a organizar as idéias, estabelecer relações entre elas, ter e ampliar o repertório sobre o assunto sobre o qual vamos escrever, redigir atentos às normas ortográficas e principalmente, conferirmos um sentido ao próprio ato de escrever, mesmo que seja o de aprender a escrever.

Sugerimos que proponham a seus alunos que considerem um gênero de texto para a escrita e posterior publicação em um blog. É preciso que se tenha domínio de conteúdo e do gênero de texto que se quer produzir, portanto, caberá a você professor, propor um gênero de texto que quer trabalhar com seus alunos ou deixá-los livres para escolher dentre os que já trabalhou com o grupo. Eis alguns exemplos de gêneros textuais: diálogo interrogatório, depoimento, conto, crônica, romance policial, poesia, receita culinária, instrução, notícia, reportagem, carta de leitor, artigo de opinião, verbete de enciclopédia etc. etc.

Aproveitando a grande polêmica em torno do Referendo sobre a questão do comércio ou não de armas no Brasil, talvez seja interessante propor que trabalhem com artigos de opinião. Lembrando que artigos de opinião exigem o uso da argumentação e o tema em questão coloca os jovens diante de um fato que afetará toda uma coletividade, é preciso que se saiba selecionar os argumentos pró e contra com discernimento e fundamentação.

Passos

1 - Aprofundar o repertório de informações sobre o assunto, buscando na internet os vários sites e blogs que tratam do assunto. Sugerimos alguns que foram citados no documento produzido pelo Sinpro – SP [Sindicato dos Professores de São Paulo], que é uma Cartilha dirigida aos professores, intitulada “Os professores e o referendo sobre o desarmamento”:
* Instituto Sou da Paz
* Viva Rio
* Núcleo de Estudos da Violência da USP
* Instituto São Paulo Contra a Violência
* Educapaz
* Control Arms (em inglês, espanhol e francês)
* Small Arms Survey (em inglês)
* Referendo no Senado Federal
* Organização das Nações Unidas (ONU)
* Brasil Sem Armas
* Pelo Direito à Legítima Defesa (confira a posição do vice-presidente da Comissão Deputado Luiz Antônio Fleury Filho/PTB-SP)
* Utilize a busca do Yahoo! para encontrar outros sites contra o desarmamento.

2 - Depois de bem informados sobre o assunto, o que significa dizer que não só pesquisaram as diversas fontes, mas que a contextualizaram, isto é, sabem quem está falando, de onde está falando e quais os interesses que representam, oriente os alunos para que selecionem os argumentos de que deverão se valer para construir o seu artigo de opinião, de alguma forma, produzindo um diálogo com a outra posição. Vale lembrar que estudiosos da argumentação propuseram diferentes classificações de argumentos (citados em material de autoria de Jacqueline P. Barbosa):
* Argumento de autoridade: a conclusão se sustenta pela citação de uma fonte confiável, que pode ser de um especialista no assunto ou dados de instituições de pesquisa;
* Argumento de princípio: a justificativa é legítima, faze apelo a princípios, o que torna a conclusão quase que incontestável;
* Argumento por causa: a(s) justificativa (s) e a conclusão têm uma reversibilidade plausível;
* Argumento por exemplicação: a justificativa remete a exemplos comparáveis ao que se pretende defender

3 - Escrita do texto, com base na argumentação assumida, levando em conta nesta argumentação os possíveis argumentos contrários à posição assumida.

4 - Conclusão, afirmando a posição assumida.

5 - Debate, se há no grupo a divisão de opiniões sobre o tema tratado, poderia ser feito um debate oral.

6 - Publicação na internet e debate, a publicação tanto pode ser dos diferentes pontos de vista expressos pelas diversos argumentos produzidos, resultando portanto na divulgação dos textos dos alunos, ou da síntese do debate oral.

Caso ache mais produtivo, o debate poderá ser na internet (em blogs, por exemplo), com isto, cria-se a oportunidade de um debate mais público, convidando grupos de outras escolas a interagirem com seus alunos.



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