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José Saramago

Escritor português
16/11/1922, Azinhaga (Ribatejo), Portugal
18/06/2010, Lanzarote (Ilhas Canárias), Espanha

Filho de camponeses, serralheiro mecânico na juventude, autodidata, foi diretor literário de editora, tradutor, autor de comentários políticos no Diário de Lisboa e diretor-adjunto do Diário de Notícias. Apesar das dificuldades financeiras, que o fizeram ter de abandonar cedo os estudos, foi um aluno brilhante. Após a publicação de seu primeiro romance em 1947, ficou dezenove anos sem publicar nada, por "não ter nada a dizer".

Enfrentou censura e perseguição durante a ditadura de Salazar e integrou a Revolução dos Cravos (1974), que trouxe de volta a democracia a Portugal. Era adepto do Iberismo (movimento que defende a unidade política de Portugal e Espanha) e membro do Partido Comunista Português; teve seu romance
O Evangelho Segundo Jesus Cristo censurado pelo governo português sob a alegação de ofender o catolicismo, o que o levou a viver na Espanha, onde viveu até morrer.

A partir de 1976, com 53 anos, passa a dedicar-se exclusivamente à literatura; sua escrita fica conhecida pela fluidez da narrativa e principalmente pelo "desrespeito" às normas de sintaxe e a falta de pontuação. A originalidade de sua obra contiste em sua visão histórica e cultural muito controversa e seu estilo de humorismo sarcástico, pessimismo e críticas ao comportamento ético do ser humano. Como em seu Ensaio sobre a Cegueira, em toda sua obra Saramago nos exige refletir sobre a 'responsabilidade de se ter olhos quando todos os outros os perderam'.

Em 1995, recebeu o Prêmio Camões - o mais importante da língua portuguesa - e, em 1998, foi o primeiro autor de escrita em português a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura.

Veja suas principais obras:

poesia: Os Poemas Possíveis (1966), Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975); crônicas: Deste Mundo e do Outro (1971), A Bagagem do Viajante (1973) e Viagem a Portugal (1981), Folhas Políticas (1976-1998); contos: Objeto Quase (1978), O Conto da Ilha Desconhecida (1997); ensaios: As Opiniões Que o DL Teve (1974) e Os Apontamentos (1976); peças teatrais: A Noite (1979), Que Farei com Este Livro? (1980), A Segunda Vida de Francisco de Assis (1987) e In Nomine Dei (1993), Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido (2005); romances: Terra do Pecado (1947), Manual de Pintura e Caligrafia (1977) Levantado do Chão (1980, Prêmio Cidade de Lisboa), Memorial do Convento (1982, Prêmio Pen Clube Português e Prêmio Município de Lisboa), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984, outro Prêmio Pen Clube Português), Jangada de Pedra (1986, levado ao cinema em 2002), História do Cerco de Lisboa (1989), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio sobre a Cegueira (1995, levado ao cinema em 2008), Todos os Nomes (1997), A caverna (2000), O Homem Duplicado (2002), Ensaio sobre a Lucidez (2004), As intermitências da Morte (2005), A Viajem do Elefante (2008), Caim (2009).

Além disso, ainda escreveu para as crianças em A Maior Flor do Mundo (2001), um relato autobiográfico, As Pequenas Memórias (2006), um Diário, os Cadernos de Lanzarote (em cinco volumes), e ainda mantinha um blog na internet, cujos textos postados entre setembro de 2008 e março de 2009 estão reunidos no livro O Caderno (2009). Sua obra está traduzida para mais de 20 línguas.

Teve sua Poesia Completa lançada em 2005 e causou muita polêmica com seu último livro, Caim, por usar palavrões e xingar Deus; era ateu declarado. Sua obra é considerada por críticos do mundo todo como uma das mais importantes da literatura contemporânea, chegando a ter sido considerado o mais talentoso romancista vivo pelo importante crítico norte-americano Harold Bloom.



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