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A versão clássica
Você sabia? Pode parecer estranho, mas a Revolução Russa de fevereiro de 1917, que derrubou o tzarismo e abriu caminho para a Revolução Bolchevique, começou com uma paralisação em comemoração ao 8 de Março, numa fábrica em que só trabalhavam mulheres, em São Petersburgo. O movimento foi reprimido pela polícia; operários de outras fábricas aderiram e o conflito generalizou-se. Como a Rússia usava o calendário juliano, que tem 14 dias de diferença em relação ao calendário gregoriano, a folhinha lá marcava 23 de fevereiro.
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Segundo a versão que se consagrou como verdadeira durante muito, o Dia Internacional da Mulher surgiu no seguinte contexto: uma fábrica têxtil na periferia industrial de Nova York, Estados Unidos, pega fogo. Centenas de mulheres morrem queimadas, presas dentro da fábrica. Mais do que uma tragédia, um crime que chocou o mundo. As mulheres tinham parado suas atividades para reivindicar redução da jornada de trabalho e licença remunerada para as gestantes. A direção da fábrica recusou-se a atender a suas reivindicações. O incêndio foi criminoso. As portas estavam fechadas e as mulheres, trancadas. Para os patrões e autoridades locais, a morte das operárias serviu como um ato exemplar do que poderia acontecer a quem não cumprisse as regras impostas pelos poderosos. Para as mulheres e trabalhadores organizados de vários países, as operárias se tornaram mártires que fortaleceram o movimento pela defesa dos direitos das mulheres. Assim, o 8 de Março passou a ser comemorado por sindicatos e associações de mulheres de vários países. História contestada Mais recentemente, essa versão clássica a cerca do Dia Internacional da Mulher foi contestada. Segundo a socióloga Eva Alterman Blay, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, “o acidente relatado acima, de 1857, não aconteceu”. A professora conta que o incêndio relacionado ao Dia Internacional da Mulher aconteceu no dia 11 de março de 1911, na Triangle Shirtwaist Company, uma fábrica têxtil que ocupava três andares de um prédio em Nova York. A empresa tinha mais de 600 empregados, em sua maioria mulheres judias e italianas, com idade entre 13 e 23 anos. Quando o incêndio acabou, sobraram os números da tragédia: 125 mulheres e 21 homens mortos. O funeral coletivo, realizado alguns dias depois, reuniu mais de 100 mil pessoas. Hoje, o local do incêndio corresponde a uma área da Universidade de Nova York. Lá, uma placa lembra a tragédia: “Neste lugar, em 25 de março de 1911, 146 trabalhadores perderam suas vidas no incêndio da Triangle Shirtwaist Company. Deste martírio resultaram novos conceitos de responsabilidade social e legislação do trabalho que ajudaram a tornar nossas condições de trabalho as melhores do mundo".
Apesar da influência desse acontecimento, Eva Blay defende que o processo para instituir o Dio Internacional da Mulher já estava se desenvolvendo há algum tempo, Segundo ela, essa data já era defendida por americanas e europeias ligadas ao movimento socialista e foi concretizada a partir da iniciativa de Clara Zetkin em 1910, comunista alemã que durante o II Congresso Internacional de Mulheres socialistas propôs a data comemorativa.
Diante de todas essas versões, o que se sabe ao certo é que o dia foi oficialmente instituído em 1975 pela ONU. Neste momento da história, o movimento feminista já havia eclodido em vários países e foi cada vez mais ganhando força.
Condições de trabalho Durante o século XIX, em vários países da Europa e das Américas, o mundo das fábricas era uma verdadeira selva. Não havia nenhum tipo de legislação que disciplinasse a quantidade de horas trabalhadas diariamente e as condições de trabalho. As pessoas trabalhavam 16, 17 e até 18 horas por dia, sete dias por semana, em ambientes insalubres e mal organizados. Mulheres, crianças e velhos eram obrigados a extensas jornadas, muitas vezes em atividades extenuantes. Não havia descanso remunerado, férias, assistência médica, aposentadoria. Doentes ou mulheres grávidas eram sumariamente dispensados quando não aguentavam mais o ritmo. As organizações de caráter trabalhista surgiam em todos os pontos onde houvesse aglomeração de trabalhadores. As lutas pelos direitos podiam chegar a extremos de violência, como o incêndio criminoso que matou as operárias de Nova York.
Os direitos das mulheres
As primeiras reivindicações femininas não se diferenciavam das masculinas: redução da jornada de trabalho e salários dignos. Mas logo vieram reivindicações específicas: licença-maternidade, condições de salubridade, fim do trabalho noturno e a luta pela igualdade de tratamento não apenas no emprego, mas em todos os terrenos sociais: trabalhos iguais e salários iguais; igualdade de acesso aos estudos e aos postos de trabalho; direito de voto; e, mais recentemente, direito sobre o próprio corpo. Alguns direitos, como o de voto, já foram conquistados na maioria dos países do mundo. No entanto, as mulheres, em média, ainda ganham menos do que os homens pela mesma função, têm piores condições de trabalho e ocupam profissões menos valorizadas.
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