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Os abolicionistas

Cartaz de recompensa para quem achasse o escravo fugido.
Milhares de pessoas brancas também festejaram o 13 de maio de 1888. Eram os abolicionistas, que haviam lutado bastante pelo fim da escravidão, motivo de vergonha para os brasileiros – o Brasil era o último país do mundo a abolir a escravidão negra.

Desde o início do século XIX, o movimento pela libertação dos escravos tinha mobilizado escritores, senadores, deputados, juristas, a população em geral. Quando a Lei Áurea foi assinada, o movimento abolicionista já tinha mais de 60 anos.

Ganhou impulso em 1810, quando, em troca do apoio à corte de D. João VI instalada no Brasil, a Inglaterra – a maior potência internacional da época – exigiu que o país assinasse um tratado garantindo a libertação dos escravos e seu domínio sobre o nosso comércio. O tratado foi assinado, mas não cumprido na parte relativa aos escravos.

Na Assembleia Constituinte de 1823, que se reuniu após a proclamação da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva defendeu a substituição dos escravos africanos por imigrantes europeus, como os Estados Unidos haviam feito. Tudo continuou como estava. O poder dos senhores de escravos e seus interesses econômicos eram fortes demais para ser enfrentados até por parlamentares e pelo próprio governo.

Três anos depois, em 1826, os ingleses reconheceram a independência do Brasil, mas exigiram que o mesmo tratado de 1810 fosse assinado pela Regência Trina. O tratado, outra vez, não foi cumprido.

Em 1830, a Inglaterra forçou novamente o Brasil a aceitar o tratado proibindo todo trabalho escravo durante 15 anos. Apesar de aceito, o tratado nunca entrou em vigor. Por causa desses três tratados assinados com a Inglaterra mas nunca cumpridos é que surgiu a expressão "para inglês ver".

Só em 1850 apareceu a primeira das leis que beneficiaria os escravizados.

Descontentes e preocupados  
  
Você sabia?
Os primeiros escravos negros chegaram ao Brasil em meados do século XVI. Durante o tráfico negreiro, cerca de 4 milhões de negros foram trazidos da África.
Se os abolicionistas tiveram todos os motivos para comemorar a libertação dos escravos, havia também muitas pessoas que não estavam contentes nem viam razão para festejos. Esse grupo era formado, em sua maioria, por proprietários de terras - fazendeiros de café ou de cana-de-açúcar. Eles estavam furiosos porque a libertação dos escravos lhes dera prejuízo: da noite para o dia, eles perderam os negros escravos que haviam comprado para trabalhar em suas plantações. Havia ainda uma parcela menor de pessoas bastante preocupada. Esse grupo era formado por brancos e negros abolicionistas que passaram a temer pelo futuro dos ex-escravos. Afinal, a princesa Isabel tinha assinado a Lei Áurea, mas não previa nenhum tipo de apoio ou de assistência aos negros que, de repente, ficavam sem ter onde morar, para onde ir ou trabalhar e ganhar seu sustento. 



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