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| Princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea. |
Apesar de não contrariar fundamentalmente os interesses dos fazendeiros, a defesa da lei do Ventre Livre obrigou José Maria da Silva Paranhos, visconde do Rio Branco, chefe do Ministério da época, a fazer 41 discursos na Câmara e no Senado, no ano de 1871. Foi aprovada em 28 de setembro desse ano e promulgada pela princesa Isabel, herdeira do trono, que ocupava a regência durante viagem do imperador ao exterior. Campanha Abolicionista. A partir de 1878, o movimento abolicionista começou a se articular em torno da denúncia contra a lei do Ventre Livre. O progresso da lavoura do café no oeste de São Paulo, em bases capitalistas – os trabalhadores agrícolas eram parceiros ou assalariados, não mais escravos –, dava fortes argumentos econômicos contra a escravidão. Em 1880, em São Paulo, o número de trabalhadores rurais livres (principalmente imigrantes) era superior ao de escravos. Alguns intelectuais descendentes de escravos – José do Patrocínio, Luís Gama e André Rebouças – lideraram na imprensa a luta pela abolição. Em 1879, Joaquim Nabuco foi eleito deputado e reabriu a questão da abolição na Câmara. Fundada em 1880, a Sociedade Brasileira contra a Escravidão promoveu conferências, publicou artigos em jornais e desenvolveu outras formas de propaganda. Em 1884, ocorreram abolições espontâneas em várias províncias do Brasil, como as do Amazonas e do Ceará, onde os jangadeiros se recusaram a continuar conduzindo escravos do Nordeste para o Sudeste. Lei Saraiva-Cotegipe. O governo reagiu dando mais um tímido passo no processo de emancipação. Em 28 de setembro de 1885, foi aprovada a lei Saraiva-Cotegipe, ou dos Sexagenários, após discussões e reformulações durante os governos do liberal José Antônio Saraiva e do conservador José Antônio Wanderley, barão de Cotegipe. Declarava livres os escravos com mais de 60 anos, mediante indenização paga pelo governo. Como poucos escravos chegavam aos 60 anos e, quando chegavam, seu rendimento na lavoura já era mínimo, o proprietário só tinha a lucrar: recebia indenização por um trabalhador inapto e não tinha mais obrigação de alimentá-lo. Cresce o Abolicionismo. A lei dos Sexagenários não paralisou a campanha abolicionista. Rui Barbosa, no Parlamento, fazia discursos tão brilhantes quanto os de Joaquim Nabuco, em favor da abolição. Os versos abolicionistas de Castro Alves comoviam amplos setores da população. Muitos senhores libertaram seus escravos. Multiplicaram-se os clubes abolicionistas. Estudantes e intelectuais promoviam fugas de escravos. Incitado pelos discursos de Joaquim Nabuco, o Exército recusava-se a perseguir os escravos fugidos. Sem os militares, a repressão era precária e as fugas aumentaram. Em 1887, a Igreja Católica manifestou-se, pela primeira vez no Brasil, a favor da abolição. O Partido Liberal era favorável a ela desde 1884. O Partido Conservador só aderiu à ideia em 1888, por influência de João Alfredo Correia de Oliveira e Antônio da Silva Prado, que, em 1887, numa reunião de fazendeiros paulistas, defendeu a alforria geral num prazo de três anos. Só os barões do café do vale do Paraíba do Sul, já em franca decadência, eram contra a abolição. |