Alterações no Corpo Feminino. Têm início em média entre 11 e 12 anos e estendem-se até por volta dos 18 anos, quando o amadurecimento do organismo se completa. A partir da puberdade, as mamas se desenvolvem, o corpo ganha contornos arredondados e surgem pelos nas axilas e na região púbica. A pele do rosto fica mais grossa e com maior oleosidade e a transpiração aumenta. Por volta dos 12 ou 13 anos, ocorre a primeira menstruação (a menarca). As células reprodutoras (óvulos) amadurecem e o corpo se torna biologicamente pronto para a procriação, embora psicologicamente a adolescente ainda não esteja preparada para isso. Cerca de dois anos depois da menarca, o ciclo menstrual se regulariza. Análises do desenvolvimento feminino evidenciam que essas idades representam apenas uma referência, sendo perfeitamente normais as variações entre um organismo e outro. Há casos de a primeira menstruação ocorrer por volta dos 10 anos ou dos 16 anos. Alterações no Corpo Masculino. Começam em média entre 12 e 14 anos e se prolongam até 18 ou 20 anos, quando o processo de amadurecimento do organismo chega ao fim. Durante a puberdade, os testículos e o pênis crescem, surgem pelos na face e no corpo, a voz se torna mais grave. Os testículos passam a produzir espermatozoides, as células reprodutoras masculinas, e ocorre a primeira ejaculação. Nessa ocasião, no entanto, os espermatozoides ainda não estão maduros para fecundar um óvulo – isso ocorre cerca de dois anos depois. A capacidade biológica para a reprodução é alcançada antes de o indivíduo estar psicologicamente preparado para assumir a paternidade. Assim como ocorre com o organismo feminino, essas mudanças representam um fenômeno variável, que depende de determinações genéticas e emocionais. Alterações Psicossociais. As mudanças físicas da puberdade vêm acompanhadas por profundas transformações psicológicas e sociais. São alterações transitórias, típicas da adolescência, que podem manifestar-se durante mais ou menos tempo e com maior ou menor intensidade em cada indivíduo. Desde o início da adolescência, o indivíduo busca maior autonomia, tenta romper a dependência infantil e estabelece novos vínculos. Na busca por uma identidade social, pois não é mais criança e ainda não se tornou adulto, o adolescente se distancia da família e se aproxima do grupo (ou turma) formado por pessoas da mesma faixa etária. É nesse ambiente que ele tenta encontrar conforto e segurança emocional. A transição da infância para a vida adulta é marcada por constante busca de auto-afirmação, por crises de autoestima e por comportamento muitas vezes agressivo e, em alguns momentos, apático. É comum o adolescente tentar se proteger, tornando-se menos sociável, ou passar por bruscas variações de humor, alternando períodos de euforia e depressão. Essas atitudes têm causas hormonais e psicológicas e podem expressar o medo ou a recusa em ser adulto. A necessidade de auto-afirmação, típica dessa fase em que o indivíduo toma consciência da feminilidade ou da masculinidade, dá origem a conflitos no núcleo familiar. São comuns atitudes de desacato e de permanente desafio à família, aos educadores e a qualquer adulto investido de autoridade – todos vistos como agentes repressores que negam ao adolescente a conquista da liberdade. A atitude contestatória, geralmente entendida pelos adultos como revolta ou transgressão, faz parte da busca de identidade, da afirmação da personalidade e da tentativa de ocupar um lugar no mundo. Durante a adolescência, a revolução provocada pelos hormônios desperta o interesse sexual. As paixões dessa fase são intensas, embora nem sempre duradouras, e podem provocar grandes frustrações. Para o adolescente, torna-se natural deixar a escola, a família e outros aspectos da vida cotidiana em segundo plano para devotar-se ao objeto de seu desejo sexual. Nessa fase da vida, são também comuns o sentimento de onipotência e a ideia de ser imune aos perigos. Variações Culturais. O conceito de adolescência e a maneira como essa fase é vivenciada variam de cultura para cultura. No mundo ocidental, até o início do séc. XX dava-se pouca importância a essa etapa da vida humana. O período de transição era breve, marcado sobretudo por alterações biológicas. A diversificação dos papéis e a complexidade da sociedade contemporânea tornaram a adolescência cada vez mais longa e acirraram os conflitos típicos dessa fase. Esse processo pode durar até 10 anos, mas não é possível precisar quando a adolescência chega ao fim. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente define essa fase como característica dos 13 aos 18 anos. Nas sociedades tribais da África, a adolescência praticamente não existe. Ao atingir determinada idade, o indivíduo participa de algumas cerimônias sociais e/ou religiosas (ritos de passagem), depois das quais já é considerado adulto. |