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Jorge Amado (1912-2001)


Nascido em Itabuna (BA) e filho de um fazendeiro de cacau, Jorge Amado acompanhou desde cedo a realidade dos trabalhadores e a luta pela terra. Ainda criança,o pai foi baleado com quarenta descargas de chumbo, vítima de tocaia. Em 1914, muda-se com a família para Ilhéus, em virtude de uma epidemia de varíola. No ano seguinte, o pai volta a ser fazendeiro, partindo com a família para Itajuípe.

Em Ilhéus, estuda no Colégio Antonio Vieira, onde tem aulas com o padre Luiz Gonzaga Cabral, que lhe reconhece o talento e lhe empresta livros. Mais tarde, estuda no Ginásio Ipiranga, na mesma cidade, onde começa a escrever, dirigindo e fundando jornais. Depois se emprega como repórter no Diário da Bahia e, a partir daí, trabalha em diversos jornais.

Recebe o título de Ogã no candomblé, e o interesse por essa religião é observado em suas obras. Em 1930, muda-se para o Rio de Janeiro, matricula-se em Direito e escreve sua primeira obra: O País do Carnaval. Envolve-se com o comunismo e, por causa de sua militância, é preso em 1936. A partir daí, ocorrem outras prisões e exílios. Em 1937 publica Capitães da Areia, e tem exemplares do livro queimado pelo governo em praça pública.

Casa-se com Matilde Garcia Rosa em 1933 e separa-se em 1944, para, no ano seguinte, unir-se a Zélia Gattai, sua companheira até o fim da vida. Considerado por alguns críticos como escritor menor que conseguiu produzir alguns bons livros, é, no entanto, um dos escritores brasileiros de maior penetração nacional e internacional.

Reconhece-se em Jorge Amado duas fases: a do realismo proletário, de postura esquerdista, em que defende a politização do proletário, o sindicalismo, a consciência de classe, a valorização da cultura popular etc.; e a de formação social, que focaliza o sul da Bahia. Esta última é marcada por romances de tendência épica de natureza histórica, ao lado da investigação lírica dos motivos pessoais. Nesta, o humor fácil e a sensualidade são traços marcantes.

São romances do autor: O País do Carnaval (1931); Cacau (1933); Suor (1934); Jubiabá (1935); Mar Morto (1936); Capitães da Areia (1937); Terras do Sem Fim (1943); São Jorge dos Ilhéus (1944); Seara Vermelha (1946); Os Subterrâneos da Liberdade (1954, em 3 volumes: Os Ásperos Tempos, Agonia da Noite e A Luz no Túnel); Gabriela, Cravo e Canela (1958); Os Pastores da Noite (1964); Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966); Tenda dos Milagres (1969); Teresa Batista Cansada da Guerra (1972); Tieta do Agreste (1977); Farda Fardão Camisola de Dormir (1979); Tocaia Grande: a face obscura (1984); O Sumiço da Santa: uma história de feitiçaria (1988); A Descoberta da América pelos Turcos (1994); O Compadre de Ogum (1995).


 
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